terça-feira, 29 de março de 2016

Nossa conversa

Hoje Mãe, no fim do domingo de páscoa, em casa, na hora na minha oração antes de dormir, comecei a pensar em como a minha religião é uma coisa ainda tão obscura pra mim e me lembrei da minha catequese, que você fez questão que eu fizesse, apesar do momento em que nossas vidas estava passando. Acredito que o seu intuito com isso, era o de me passar a coisa mais importante de todas para um ser humano: o amor de Deus, os ensinamentos de Jesus. E acho que aprendi o essencial, mas continuo sem saber muitas coisas, sobre a religião em si. E fiquei pensando que a catequese nessa idade é um equívoco, porque as crianças ainda não têm o entendimento sobre a vida, sobre Deus, mesmo frequentando a igreja todos os domingos. E é muito cedo pra conseguir entender das coisas da igreja, mas tiro por mim essa conclusão. E isso me lembrou você, suas orações todos os dias no horário do jornal, no quarto com a porta encostada,da sua bíblia todos os dias, do seu lado, na cama... nesse seu horário sagrado. E me fez pensar a quanto tempo não abro a sua bíblia, ha quanto tempo ela está lá, fechada, no mesmo lugar da minha estante, junto dos outros livros. E comecei a pensar, que com certeza eu deveria tentar lê-la, pra aprender as coisas que não sei, já que você não está mais aqui pra me explicar. E acho que eu deveria saber, porque quero um dia poder sanar os questionamentos dos meus filhos, como sei que você faria. Em todo caso, se não for por esses motivos, eu ainda assim deveria ler sua bíblia porque sei que estarei mais próxima de você, por diversos motivos... Nas coisas que você marcou e escreveu nela, como uma mensagem pra mim do passado. Sabendo que em tempos de vida adulta, com a vida prestar a começar e ainda tão distante, sem direção, as respostas que busco encontrar de Deus pra minha vida, é você quem vai me dizer!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

o tempo que insiste em voltar


No início havia algum tipo de paz, quando percebi que você não voltaria. Poderia me esquecer do celular, esquecer de propósito, pro hábito não me trair. Porque não seria você, a nenhuma nova mensagem, nenhuma ligação. Nenhum sinal seria seu. Tentei me cuidar mais mesmo sabendo que você não veria... 
Tentei mudar os hábitos, focar em alguma coisa, ler três livros ao mesmo tempo, estudar, me ocupar de todos os jeitos, preencher todos os espaços da minha mente. E fiquei bem, passei por aqueles momentos em que sentimos que já foi tudo superado, que estamos melhores. Quando conseguimos dar nossos passos firmes. Mas essa sensação de bem estar é uma ilusão que a saudade só desvenda depois. 
Essa sensação antecede o tropeço e a saudade é o tropeço, uma doença. É a nossa queda justo quando estamos começando a alçar voo outra vez. É como uma fisgada que nunca sabemos prever. Uma dor que não sabemos remediar. A recordação nos assalta na rua, no sol, no meio de uma conversa com alguém, em qualquer lugar... e arranca com brutalidade as barreiras que construímos para impedir a nós mesmos de olhar pra trás. 
Com o tempo a saudade seca cada gota de todo nosso esforço, nos revira de dentro pra fora, nos faz regressar repetidamente todos os passos dificultosos que conseguimos dar. É como um jogo de tabuleiro que, vez por outra, nos manda de volta ao inicio. 
A qualquer hora do dia, onde quer que eu esteja, eu me lembro de nós dois, meu corpo fica atento com o fantasma da lembrança sua fazendo tudo de novo em mim, aquele arrepio percorre cada parte minha como se fosse real. Mas é cruel! Gostaria de estar sozinha, mas infelizmente não estou. Estou constantemente acompanhada de uma presença sua que não existe mais.
Não sei mais nada da sua vida de propósito, escondi nossos retratos pra tentar esquecer do seu rosto, me afastei por completo, fiz novos planos, cortei os cabelos, perdi peso. Tentei ser outra pessoa pra fingir que nunca aconteceu nada entre nós. Que nunca nos olhamos nos olhos com intensidade, que você nunca me embrulhou dentro dos braços. Que a manhã nunca nos surpreendeu depois do cansaço, quando o sono começava a chegar no meio da nossa conversa. Fiz de tudo pra não fraquejar e me agarrar as certezas que tinha, mas a saudade só me deixou duvidas e suposições que nunca serei capaz de tirar.
Mas o que pude fazer eu fiz, o que pude trocar de lugar, esconder, eu escondi! E mesmo assim, nunca se sabe o que vai nos remeter a um momento qualquer do passado. Pode ser outra pessoa que eu veja, mas vejo você. Pode ser outra pessoa falando, mas a voz que eu ouço é a sua! Saudade é isso, é nunca saber o sintoma, nunca saber o que causa a lembrança e apenas aguardar a dor. É estar sozinho numa história que era de duas pessoas. Tento descobrir como esconder de mim o que esta dentro, e nem sei se tem como... fingir pra mim mesma que meu coração nunca quis que você ficasse e que a saudade é uma teimosia boba. Pra conseguir ser sozinha de novo. Sentir como se não faltasse nada, como antes de você surgir. Porque agora falta e a sua falta é a pior das companhias.


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

chegou pra tomar um café, e ficou


De que serve a razão nessas horas? Nunca consegui usá-la. De que serve a razão depois que deixamos aquela pessoa atravessar nosso caminho de novo, depois de tudo, do afastamento, da estranheza... o que foi preciso pra que eu te deixasse entrar, como quem não quer nada aqui outra vez, cheio de passado, de recordações que não sei se estão latentes dentro de você ou não? Foi preciso o que?  Uma mensagem, duas, um reencontro ao acaso na pizzaria e pronto, estávamos conversando como os amigos de antes, cheios do cinismo divertido das nossas conversas, descobrindo, depois de tantos anos sem aquelas nossas longas conversas, novas afinidades, muitas! E alguns gostos divergentes... a  pizza de frango e de calabresa, minha paixão por doce e a sua indiferença. Gostávamos das mesmas series sem saber.  Na cabeça regressando a lembrança de uma loucura que ficou por terminar... As mesmas brincadeiras retornaram, assim, sem precisar de muito tempo, sem desculpas, sem perguntar da vida, sem pedir licença. Foi entrando como quem chega pra tomar um café, e ficou. 
Nessa hora já não usei a razão, deveria tê-lo feito, mas... Depois que começamos a conversar aquele dia, sem querer já não consegui ser racional e me utilizei de uma desculpa coberta de uma falsa razão pra te deixar ficar. Nós eramos amigos, não tinha nada demais conversarmos, o problema é que depois de umas conversas a intimidade de anos atrás já estava de volta e era impossível regressar um passo, o tipo de coisa que não tem volta, era hipocrisia depois de tudo ser indiferente. Você não queria namoro, nada serio pra agora, tinha muitas coisas coisas pra fazer, planos, carreira, estudo e eu também, um namorado me atrapalharia, tinha acabado de me formar, estudando pra concurso, talvez começasse a advogar, queria viajar... O que não deixava de ser verdade, me acobertei dessa desculpa pra continuarmos juntos, mesmo que sem futuro, mesmo que sem promessa, porque nos dávamos bem demais pra não experimetar.
Me pergunto aonde esteve a razão nessas horas, nas horas que estávamos juntos, sozinhos, ou até mesmo enquanto conversávamos e íamos nos despindo em palavras... me desarmei sem me dar conta. Mas me pergunto por que a razão foi tão fraca e não conseguiu me impedir de te ver, de te falar tantas coisas, que não me impediu de deixar você entrar nos meus sonhos, não foi suficiente pra me deixar afastada mesmo em todas as vezes que brigamos? A razão é muito fraca! E é tão difícil ser racional depois de um carinho, depois de um sorriso, depois de um beijo ou mesmo do olhar que antecede o beijo. Queria conseguir, mas confesso que, até mesmo longe dessas coisas, era difícil calcular o dano, o estrago, ser matemático e calcular a porcentagem de prejuízo que teremos no final...
Minha razão nunca foi rápida o bastante pra chegar antes dos meus sentimentos, pra me impedir de imaginar, de aceitar o primeiro beijo, de perder a vergonha com você, a razão nunca chegou antes de eu aceitar seus carinhos, nunca chegou antes da sua mão encontrar a minha, antes da sua boca encostar na minha enquanto sinal estava fechado, a razão nunca chegou antes de eu aceitar os seus braços abertos pra eu deitar, nem chegou antes de eu permitir que você deitasse a cabeça no meu colo, antes do carinho no meu pescoço, antes de todas as risadas que você abriu no meu rosto com suas piadas ridículas, com coisas que só nós dois sabíamos... nunca! A razão é sempre lenta, até mesmo quando penso em você, quando lembro... Ela sempre chega depois, com as piores conclusões, tardias, precisas... o sopro de um desastre, o eco de um desmoronamento que se aproxima acompanhada da tristeza. Ainda não sei se consigo ser racional, ainda hoje não posso afirmar, estou em silêncio aqui reunindo coragem e serenidade pra colocar um ponto final nisso, pra deixar tudo isso pra trás. Antes que eu crie uma outra desculpa pra te deixar ficar, antes que eu lembre de como era divertido nós dois juntos... Agora, depois de tudo.
E depois das lembranças da gente, de lembrarmos juntos de nós dois anos atrás, do que poderia ter acontecido, e esclarecermos tudo, cada detalhe tão vivo na sua memoria, coisas que nem eu lembrava... E nos vermos de novo e ver que a gente se dava bem demais pra que restasse espaço pra razão. Fomos então terminando o que tinha ficado inacabado há tantos anos, saboreando etapa por etapa, consumando nossa intimidade e nos abrindo anda mais, e nos olharmos diferentes... Porque era tudo diferente, nós eramos diferentes, os anos passaram e quantas coisas aconteceram em nossas vidas, as circunstâncias agora também tinham mudado e talvez houvesse uma chance pra gente...
Mas não entendo a mudança, não entendo o que houve de errado nesse meio tempo, se tudo era tão bom! E fico aqui a me questionar se confundi a razão, o propósito da gente - se há de fato um proposito para cada reencontro na vida - se o nosso era esse, apenas terminarmos o que deixamos em aberto? Poderia toda a nossa afinidade ter a ver só com isso? Esse propósito pra gente me parece superficial demais! Dentro de mim ainda está em aberto... lamento dizer.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

silence is an answer too

Isolation is a killer


Sei que estou me despedindo de você, antes mesmo de partir, antes mesmo de você saber que vai embora, que eu sei que você vai. E faço isso porque não sei se quero me acomodar nesse lugar com você. Minto! Eu quero, se você me perguntasse, se você também quisesse... só não sei se estou preparada para me desacostumar depois de tudo, depois de toda intimidade. Não sei brincar disso. Por isso tô aqui pensando que não devia ter dividido tantas coisas com você e tô agora tentando me desfazer das lembranças, me desfazer das coisas que guardei pra te contar, pra ver se vou partindo aos poucos, se vou esquecendo as coisas que planejei pra gente, sem querer.
Nunca te falei exatamente o que se passa na minha cabeça quando você some, pra você não achar que sou louca, mas falei que não era nada bom e por isso odiava seus sumiços,seu silêncio.O seu silêncio fez isso com a gente! Seu silêncio me questiona coisas que não sei responder, perguntas que não quero fazer nem pra mim, nem pra você. Seu silêncio remexe o passado, me tranca com essas questões que não quero ponderar, com memórias que quero esquecer, de você, de mim... uma série de coisas que não sei se estão resolvidas ou não. Vejo algo e separo pra te mostrar e depois desisto, lembro de algo que quero te contar e me calo... seu silêncio me retrai, me apavorada e sobretudo, me afasta de você, me empurra pra cada vez mais longe. E me pergunto se você está de fato ao meu lado, se é apenas parte de você, ou se já me virou as costas... Fico no escuro e odeio! Te odeio por isso!
Aí vou me despedindo aos poucos de você, dentro de mim e é inevitável não fazer isso, porque me desespero tentando me proteger da sua falta. Vou  então ocupando meus pensamentos com outras coisas, tentando me afastar e sair assim, pelos fundos, à francesa, pra que EU não perceba - até porque, acho que isso já não faz diferença pra você -Vou arranjando um jeito de contar a mim mesma que estamos acabando... que estou desistindo de falar sozinha (com você). Queria te falar do frio que tá fazendo de novo, conversar sobre aquela noite, falar que tinha esquecido do episódio da cotovelada e rir junto com a lembrança, te contar da viagem que vou fazer...mas guardei tudo pra mim, seu silêncio me impede, é como se você me dissesse sem palavras que não está interessado em nada disso. Ainda quando conseguimos conversar há silêncio, esse esboço do fim estampado no nosso diálogo.
E eu tenho tentado de todos os jeitos, tenho fingido pra você que não estou angustiada com essa mudança, tentando todo dia acreditar que você não está diferente, como disse. Falo com você desviando do assunto, esperando que as coisas voltem ao normal... porque sei que se eu for entrar no assunto de novo acabaremos brigando, e não quero isso, porque dói muito mais. Dói muito mais o alarde do fim, dói muito mais ir embora na gritaria... é tão difícil! Até hoje não tive a coragem de bater a porta de uma vez, sempre acabei deixando uma brecha, esquecendo a chave. Ainda não consegui passar despercebida por nós dois e continuar a viagem, sem lembrar da gente, sem querer de novo. Mas não sei até quando vou aguentar continuar aqui, se eu for dessa vez, acho que não volto mais! 



segunda-feira, 17 de agosto de 2015

somos perfeitos antônimos


A gente se dá tão bem assim, sendo amigos que nunca concordam, quando somos confronto. A gente conversa batendo boca é assim o nosso jeito, o jeito que sorrimos, que damos nossas risadas verdadeiras. A gente se entende na contradição das palavras, é assim que fazemos sentidos, a nossa lógica é assim: contrariando o outro em tudo. É desse jeito que vamos bem, falando tudo ao inverso, é o nosso dialeto. Falamos sério brincando, brigamos sorrindo, discutimos o tempo inteiro e terminamos numa boa!
Mas quando nos inclinamos ao tratamento de casal, quando falamos a língua dos normais não nos entendemos. Fico chata, sem assunto, sem piada. Ele: seco. Perdemos a graça, o jeito. As palavras carinhosas de alguma forma se distorcem, as boas intenções são incompreendidas e acabamos brigando, de verdade.
Ele não é a minha paz, tampouco sou a dele. Embora ele diga que quer que fiquemos assim, a paz que ele me traz é ao contrário também, ele só é calmaria quando estou num turbilhão muito pior ou quando estamos em pé de guerra. Quando desejo ser doce e carinhosa,sempre penso numa maneira ao avesso para demonstrar, no mínimo termino ou começo a frase com um xingamento, uma crítica a ele, assim tudo se encaixa e tem graça.
O único momento no qual somos normais, um plágio barato de todas as outras pessoas é quando ficamos juntos, só eu e ele.  Aí sim, não temos nenhuma autenticidade, nada de excepcional.  Somos mãos dadas, carinho, chamego, sorrisos e olhares, cuidado... quando nos entregamos feito amantes, somos isso, sem nenhuma novidade, a não ser pra nós mesmos, porque queremos agradar o outro, confiamos nossa intimidade ao outro, somos parceiros, cúmplices, casal. Um clichê dos bons! Fora isso estamos sempre na contramão do outro, nos entendendo no desentendimento, no cinismo.
Mas aí, um dia do nada, ele começa uma briga por causa de um sonho meu com outro cara, totalmente sem importância, como se fôssemos mais, como se fosse um tipo estranho de ciúme, que eu nem entendo direito, porque nunca nos encaixamos nessa posição de casal, nunca fizemos esse tipo.
E aí eu penso que já vi tantas histórias de pessoas que seguiram o ritmo e as fases normais para se tornarem casal e acabaram mal, e já vi também histórias improváveis, que começaram tortas e deram certo que seria hipocrisia minha dizer que essa idéia da gente não me agrada. Seria falsidade dizer que não o imagino desse jeito, que nunca pensei que poderia ser a gente um desses casais estranhos, imperfeitos... porque de alguma forma já aceitei a ideia, já gostei sem saber bem como ela entrou nos meus devaneios, que o meu coração já quis isso antes mesmo de eu imaginar. E não seria surpresa se estivermos fazendo tudo ao contrário, se estivermos começando pelo fim, brigando tanto pra nos amarmos no final, porque somos o antônimo perfeito do outro, algum amor já deve haver.

terça-feira, 21 de julho de 2015

como acaba ou acabou...

... | via Tumblr


Sei que não estabelecemos regras para isso, que nem sabemos o que é. Na verdade, quando se começa algo assim, não se tem um ponto de partida, não se estabelece nada. Uma conversa leva a outra, que nos leva a um momento e nem sabemos explicar o sentido dessas coisas que dizemos e fizemos. Nos forjamos para parecermos e nos mostrarmos aptos a entrar nessa, para nos deixar levar pelo momento, pelo desejo, para sermos loucos em companhia e acabamos nos mostrando de verdade, acabamos nos abrindo, deixamos que aquela pessoa entre, que nos descubra, nos conheça... acabamos nos despindo e confiando, sem nos darmos conta.  
Abrimos um espaço para o outro em nossos dias e nem nos tocamos, guardamos um assunto para contar apenas aquela pessoa sem notar, reservamos o travesseiro do lado para aquela pessoa sem perceber e vamos nos acostumando a nos importar com o outro sem  nenhuma razão aparente. Acostumamo-nos com uma situação que nem sabemos nomear. Tampouco definir quando começou, ou mesmo  que sentimento circunda essa... relação? Será que tem um nome pra isso e nós que nunca soubemos? Ou será que isso não é nada?
E quando nos damos conta disso tudo, da intimidade, da costume da companhia... nos assustamos, nos recolhemos, recuamos pelo medo! Porque não era esse o planejado, não era esse o nosso combinado (tácito). E  aí num dia qualquer, basta que o outro diga uma palavra com uma conotação que nos desagrade, algo que nos faça sentir sem importância - a alguém que tanto nos importa - para que nos magoemos e comecemos uma discussão (as vezes absurda) de coisas que não se quis dizer e reclamações que não se sabe se pode fazer, impressões erradas e coisas por falar, pois não se sabe se pode falar.
Tudo motivado pelo medo de ter se envolvido demais, de ter errado nas medidas, se descuidado... Fica tudo pela metade ou cheio demais, as proporções não se ajustam, na verdade nem se sabe quais são as proporções, é tudo diferente, não se sabe mais o que é certo e errado, o que é adequado. Passamos a nos indagar um milhão de coisas...Que distancia devemos manter um do outro para que não queiramos ser tratados como alguém importante? Ou para não se querer mais do que se tem direito nessas circunstâncias ? A que distancia devemos nos manter para que tenhamos os sentimentos certos por aquela pessoa?
Eu achei que tinha direito de querer que você fosse mais atencioso comigo, achei que tinha o direito de ter me irritado quando você quis trocar o horário do nosso encontro, e confesso que pensando agora, tenho a impressão de que me equivoquei e acabei te irritando sem razão. Achei também que tinha o direito de querer que você falasse de outra forma comigo, que você poderia ter demonstrado melhor que queria que eu fosse mesmo assim, mas não sei. Acho que não sei de nada mais.
De qualquer forma já era tarde... nós já estavamos brigando de novo e eu não sei se essas brigas frequentes são permitidas, se condizem com a nossa situação, me pergunto agora. A essa altura, você já tinha dito que achava melhor pararmos, depois falou que não tinha dito com  aquela intenção, que eu estava tendo uma visão errônea da situação, de você. E eu ainda me pergunto, qual foi sua intenção verdadeira quando disse aquilo, assim de pronto.
Nesse caso fica uma coisa incerta, essas reticências que não contam se a história termina ou se terá continuação. O final é sempre dentro da gente: quando entramos em debate com nós mesmos para decidirmos se iremos falar com o outro ou não, se iremos esperar o outro ou não. E essa decisão pode ser o seu ponto final, que pode durar para sempre ou pode se tornar uma vírgula caso aquela pessoa te procure. Ou simplesmente, se você começa a pensar em tudo isso, em todas essas hipóteses... Mas não sei se te contar as minhas divagações e perguntar os sentidos das suas atitudes são condizentes com nossa situação. E, sobretudo, se você já colocou o seu ponto final ou não. Ficamos assim, sem saber como acaba ou acabou...

sábado, 18 de julho de 2015

eu que não amo você...

Metathesiophobia



Acordei achando que você tivesse me mandado a mensagem redentora, o sinal que estava esperando pra poder ir te encontrar, pra podermos consumar nossa loucura. Mas era sonho! E então despertei, o terceiro dia de vazio, terceiro dia que não queria levantar, não queria comer...cozinhar então?! Nem pensar! Só se fosse a nossa pipoca, a que eu iria fazer pra gente hoje, pro nosso filme. Por falar em filme, deixei de assistir sozinha, um bom, de suspense, pro caso de você me mandar aquela mensagem, que me permitiria ir te encontrar... Nós dois gostamos de filme assim. Filme que a gente provavelmente não iria terminar de ver. Mas reservei pra nós, mesmo assim. E a mensagem não chegou!

Por causa dessa briga não estudei, não escrevi, não fiz nada de útil ontem, nem anteontem e estava preocupada, porque percebi que hoje não seria diferente. Fiquei até as 3h da tarde segurando o telefone, literalmente, olhando sua foto, nossa conversa... e ponderando se devia te procurar ou não. A essa hora já era pra gente estar no sofá da sua casa, comendo pipoca, embolados um no outro. Cada minuto até as três da tarde eu vi passar numa indecisão sem fim: falo ou nao
? Fazendo as contas se ainda daria tempo de fazer o que tinha que fazer antes de ir bater na sua porta.

Voltei pra cama, e só conseguia imaginar a gente, o que estaríamos fazendo na sua casa. Só conseguia lembrar da gente, lembrar do carro, dos nossos passeios, das coisas que você me disse no escuro, lembrei de varias coisas que só tornavam mais difícil cada minuto que passava. Não soltei o celular, levantei, cheguei a escrever uma mensagem e apaguei na mesma hora. A minha cabeça me dizia pra mandar e não mandar, ao mesmo tempo. Pensei em te dizer que apaguei nossas fotos, assim, sarcástica, amarga. Pensei em te perguntar, mil vezes, se você queria mesmo continuar naquele clima. Outra hora, pensei em desabafar e dizer que odeio ficar assim com você, ou sem você (o que dá no mesmo), como já disse algumas vezes no dia seguinte de uma dessas brigas. E pensei em te dizer simplesmente, que sinto sua falta e meu corpo também.

Fiquei doente de agonia, de saudade, de desejo... mas não chorei dessa vez. Bebi meu vinho no almoço em grandes goles, pra ver se me embebedava e ver então se arranjava coragem  de te dar um sinal, ou simplesmente perguntar se você estava em casa, sem explicar nada, esperando que estivesse, esperando que entendesse mesmo assim e me quisesse aí, sem pensar duas vezes. Porque na verdade, eu queria ir, queria tanto, mas tanto estar aí. Só precisava arranjar uma desculpa, uma justificativa, uma garantia de que não iria me arrepender, depois daquele banho quente com você.

Mas não arranjei nenhuma.A gente briga, mas você não volta atrás, não manda mensagem no dia seguinte. Você me procurou anteontem e eu até achei um avanço, mas a gente brigou outra vez. A gente não ta funcionando mais. Eu te digo A, você entende B, eu peço pra você ser doce e você se irrita, acha ultrajante, absurdo, e distorce o que digo. E acha que na verdade não quero, que estou com medo de te encarar, de ir pra casa com você, de ficar sozinha com você... mas a verdade é que a gente já sabe o que acontece, a gente já sabe que dá certo, certo demais... Você não entende, ou finge que não, embora já tenha te dito varias vezes, que só quero que você tenha um pouco de tato comigo, que tenha cuidado comigo. Só! Que use palavras macias, seja apenas um pouco delicado... só isso. Já te falei, que não quero outra pessoa, não quero procurar outra pessoa, muito embora saiba que na verdade, era o que deveria fazer. E você não entendeu o sentido disso, de te querer ainda, apesar de não estarmos funcionando... o sentido da minha teimosia: que eu quero você mesmo!

Fiquei triste e senti saudade hoje, ontem, anteontem... das nossas conversas de antes, de dividir meu café com você no meio da tarde e o seu comigo, das suas piadas ridículas que me faziam rir de verdade não sei como, das nossas conversas quentes enquanto o dia ainda estava claro! Senti muito... Senti saudade de me dividir com você, de me mostrar pra você e saber que você gostava de cada parte minha, que minha imagem te tirava o sono, que minha pele te fazia adiar a despedida... Senti tanto!

Mas me levantei! Decidi! Não tinha mais volta. Fiz meu café da tarde, de todo dia, aliás, até meu café eu esqueci nesses três dias. Bebi meu copo enorme de café como quem bebe um uísque ou cachaça e não te contei. Não dividi. Embebedei-me do café que fiz, do que sou: sozinha!  Voltei a minha rotina de antes de você. Assisti as minhas aulas, li. Mais tarde vou continuar a assistir minhas séries, ouvir minhas músicas... Coloquei aquela camisa velha que minha mãe usava, mas que eu vinha me esquecendo de usar, porque sempre estava despida pra você. Quando for madrugada vou assistir àquele filme, sem você mesmo, porque era isso que fazia antes! Porque eu era assim antes de você, sozinha, sem mensagem, encontros, ligações. Durmo e acordo assim, quando estou triste, quando lembro da minha mãe, quando choro a madrugada inteira, quando me pergunto se te mando mensagem ou não, se te peço desculpas ou não, se vou embora ou não... estou sempre assim, sempre igual, como venho sendo há muitos e muitos anos: sozinha! Então é isso... Só queria que você soubesse mesmo que eu queria ter ido e se não fui, a culpa foi sua. Que não soube ter cuidado pra dizer que me queria, ou que não quis ter cuidado, porque só me queria.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Meu lado louca...

Há dias venho me despedindo de você, em minha cabeça já pensei e repensei o que dizer, já ensaiei diversas vezes como te dizer. Venho tentando me afastar aos poucos. E desistindo varias vezes. Toda vez que você vem falar comigo, com esse seu jeito... esse jeito divertido nosso, tudo parece fácil, simples demais. Esqueço a complicação dessa história, a enorme probabilidade de dar tudo errado. Quando estamos juntos, no calor do momento, entre carinho e carícias, olhares e beijos, entre vidros embaçados... eu me abro pra você, me desarmo, me entrego. E não raciocino. E não consigo parar. Mas cada dia que passo sem notícia sua, faz com que eu caia na realidade da situação em que nos colocamos, penso mil coisas que não queria pensar, me sinto sozinha e fico com raiva... enxergo cada possibilidade que existe de dar errado me ameaçar. Sinto que fomos longe demais, alto demais... olho pra baixo e sinto medo de já estar queda livre, de termos estragado tudo. Então te procuro, agoniada pra tentar entender o que houve, sou cínica e dou risada para conversarmos numa boa, finjo que nem liguei pro seu sumiço, que nem dei falta... mas por dentro estou engasgada com o medo e a raiva e não consigo deixar passar. No meio da calmaria, cuspo meu receio na sua cara com sarcasmo. A gente grita, eu grito. E eu pego minhas coisas, minhas roupas espalhadas, faço as malas, bato a porta... E no meio da madrugada me arrependo, volto atrás. Porque não quero outra pessoa, sou teimosa: quero você! Quero desfazer esse clima, bater na sua porta pra gente se acertar a qualquer hora da manhã.