segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Miragem de agosto

A vida é isso, uma surpresa. Nós nos limitamos e nos agarramos aos nossos traumas e achamos que acabou, que não tem como mudar. Que a vida é curta pra encontrar o que procuramos, nos antecipamos ao tempo e esquecemos que não sabemos de nada. Eu achava que não tinha mais jeito, que não encontraria alguém. Não sei ainda se encontrei, mas não conseguia pensar em ninguém que pudesse me abrir de novo. Em tantos rostos conhecidos não via ninguém cujas feições demonstrassem que poderia me fazer mudar de ideia. Ninguém que me interessasse conversar, achava que ninguém quisesse se aprofundar em mim, em saber quem eu sou, que quisesse atravessar a proteção que criei, insistir... Não imaginava mais ser possível deixar alguém entrar na minha loucura, explicar meus caminhos, meus tombos, minha vida capenga... Eis que Ele aparece, do nada, quatro anos depois pra mudar tudo isso dentro de mim.
E nem foram suas feições que eu já conhecia que me cativaram de início. Ele veio embrulhado num jeito doce e cuidadoso que nunca foi capaz de me mostrar antes. Me apresentou primeiro seu lado de dentro pra que, depois, eu pudesse enxergar o lado de fora e ir mais fundo. Foi abraçando o meu jeito, me desarmando, de pergunta em pergunta me folheando, me conhecendo... Com sua atenção e carinho, foi me ganhando, me encontrando por outros caminhos. Quando me dei conta, lá estava eu às 5h da manhã, toda interessada em entender aquele alguém que eu achava que conhecia, me dando uma chance outra vez, aprendendo tudo de novo. Fui me permitindo conhecer aqueles outros olhos, outra pele, sentindo meu coração sorrir outra vez.
Da última vez que me quebrei achei que nunca mais juntaria meus pedaços de novo. Depois de caminhar com cuidado o caminho da intimidade, me doar, de me encaixar em alguém, tive que me acostumar a não ter mais aquilo, tive que fingir não ter acontecido nada e tive a certeza de que nunca mais encontraria alguém que me aninhasse tão bem. E a vida riu de mim. 
No primeiro dia que ficamos juntos já percebi que havia me enganado redondamente esse tempo todo. O primeiro contato foi aquela falta de jeito, ele chegando perto de mim sorrindo, vindo me segurar falando que não acreditava que tava acontecendo aquilo, depois de tanto tempo de conversa sem poder nos vermos pessoalmente. Eu, indo pra um beijo no rosto. Não sabíamos se nos abraçávamos, ficamos no meio, desencontrados. E aí nos encaixamos, fomos caminhando do meu prédio pro dele abraçados: eu nele e ele em mim. Assim. No nosso primeiro contato cara a cara depois de anos. No elevador nos beijamos.
Foi um atropelo e eu me assustei com a rapidez, me assustei com tudo de novo que conheci de uma vez, tive medo de ter estragado algo que estava indo tão bem... Tentei dar um passo atrás, porque não sabia ainda o que sentia e o pedi calma. Mas percebi que era uma tolice deixar o medo decidir nosso desfecho, não dar a chance da vida nos apresentar de novo. E então, quando nos encontramos a segunda vez, naquela quarta-feira pra assistir o jogo do nosso time juntos no bar, perdendo as contas de quantos 'chopps' tomamos em meio a nossa conversa leve, aos beijos na testa e risadas, perdendo a hora... tudo mudou dentro de mim, tudo fez sentido! Os olhos dele mudaram, o beijo mudou... porque naquele dia meu coração o enxergou também. Não conseguia acreditar que tinha encontrado tudo que eu procurava em uma pessoa que eu já conhecia. E eu, que havia pedido a ele calma, de repente me vi abraçando todos aqueles planos precoces que ele fez pra gente.  
Senti meu coração sorrir quando o vi me esperando em frente ao meu prédio pra me levar pra almoçar, lindo... Redescobri como é a vida e todas as suas cores quando o coração está feliz. Como é ser recebida com um 'sou muito sortudo' sussurrado no ouvido, depois do beijo. Como é receber um carinho, um olhar atento, aquele olhar de quem está mergulhado dentro da gente, de beijar como adolescentes na calçada sem se importar com os olhos dos outros, de saber que se tem o tamanho perfeito do abraço, encontrar um ninho. Encontrar alguém que faz a nossa esperança florir, e nos mostra que reciprocidade existe. A vida não é pequena pros nossos sonhos, a vida é grande. A vida é uma surpresa boa.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

O que o cuidado diz

Quando a gente sente falta em ter alguém, geralmente é porque sentimos falta do cuidado do outro com a gente. A gente espera no amor o que pode receber e não percebe que essa parte, apesar de "mesquinha", é necessária, mas também é óbvia. Tão óbvia, que as vezes nem é amor, as vezes é outra coisa.
Naquela segunda-feira, que nossa conversa entrou na madrugada, e você falava de tantas coisas, de planos que eu nunca imaginei que você tivesse, e começou a falar da tal situação no trabalho que estava te angustiando, eu te disse pra ter paciência que tudo se resolveria, entre outras coisas. Foi uma das conversas que tivemos que nunca me esqueço, e que hoje fica voltando no meu pensamento... quando então me dei conta que o amor, nobre como é, se revela no momento que a gente percebe que a felicidade que mais nos preenche, é a que sentimos no cuidado que damos. Muito mais do que no que recebemos.
Eu, que sempre procurei alguém pra me cuidar, te conheci e quis tanto cuidar de você, conhecer os seus receios... Eu, que pareço conhecer a vida muito menos que você, quis te falar de fé, como se fosse algo do qual você nunca ouviu falar. Quis te fazer uma oração, quis te dar certezas sobre as coisas que você falou pra mim, mas que hoje nem sei se foram verdade. 
Eu acreditei em você, me abri inteira pra ouvir a história que você me contava e quis ser o seu suporte. Me fiz forte pra te permitir ser vulnerável, pra  poder ouvir qualquer coisa que você quisesse falar, por mais triste ou complicada que fosse, pra que eu pudesse te mostrar que estava do seu lado pro que você precisasse, pra permitir que você fosse um pouco mais esse alguém que não sabe tudo sempre. Quis te ensinar o que aprendi com a dor e com o amor de quem ta junto da gente, mesmo eu, que vivi a maior parte da minha vida com uma falta sem tamanho. 
Você me falou naquele dia da sua agonia, me contou suas dúvidas, as decisões difíceis que teve que tomar... E eu, fui toda ouvido e atenção. Porém, queria mais, queria estar perto, queria te dar um afago, te pôr nos braços... Queria ser a família que você não tem aqui. Queria ser sua amiga, sua cúmplice e confidente. Queria ser seu lar e te guardar dentro de mim. Queria ser o seu descanso e o seu ninho, pra te ver sempre voltar. 
Queria ter ido mais fundo, e alcançar o seu passado, entender tudo que já te magoou, comprar sua briga, fosse ela qual fosse. Eu, que sempre me senti quebrada, sempre me senti desfalcada, de repente me senti grande, o amor me expandiu... eu quis juntar os seus pedaços, te fazer inteiro onde faltasse alguma parte, quis te completar, te salvar de qualquer dor, preencher todos os seus vazios com o meu cuidado. Quis te defender da vida, que as vezes é injusta demais. 
Queria ter tido mais conversas como essa, mais desse você que tem medo e insegurança, e ser a pessoa que te tranquiliza, que te abraça do lado avesso, ser o dicionário dos seus sentimentos. Queria o pacote inteiro, ver mais desse seu lado, de te ouvir chateado pra  depois ver seu alivio com uma conversa nossa. 
Eu, que sempre adio tudo, estava disposta a virar a  noite  pra conhecer os seus dilemas, a te emprestar minha dedicação quantas vezes precisasse. Ser mais esse lugar onde você se despi e é o que é, muito além da imagem que tenta passar. Aprender a ser mais positiva com a vida pra te ensinar a acender as luzes dentro de você. 
Porque quando a gente gosta de alguém a gente faz uma divida com a felicidade, compra fiado pra dar pro outro e depois da um jeito de quitar. Que, na verdade, o amor é essa generosidade em exagero, que nos atravessa pra resgatar o outro, é um "querer bem" que nos toma de uma forma inexplicável, onde os braços do carinho querem envolver tudo: passado e futuro. Uma ânsia de se doar pro outro pra se sentir seguro. É essa busca estranha por encontrar alguém que saiba receber o nosso cuidado, alguém disposto a mostrar o seu lado mais frágil, para assim, conhecer o melhor de nós.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

o que fica depois do soco

A sensação, apesar de conhecida, é de não acreditar, de querer estar errada, depois é um vazio. Como se aquela pessoa que a gente gosta tivesse puxado seu tapete e você estivesse no ar tentando entender o porquê. É uma sensação de nada crescendo no meio da gente, de estar sendo drenado e a gente só sabe que não vai desmoronar porque nosso coração, nesse primeiro momento, bate com raiva, a dor mesmo, vem depois. É a sensação de que você foi roubado. Roubaram o que a gente deu, como se a gente tivesse se doado e depois perdido por quem ganhou. Como se a gente tivesse se emprestado e não tivesse sido devolvido. O que a gente esperava receber de volta, de cuidado, de lealdade, fosse confirmado: não terá devolução. Se perdeu pra sempre. Foi quebrado e não há conserto. Ter a confiança traída é sempre assim, é sempre um crime, um desvio de finalidade, um latrocínio: dei tudo que tinha de valor e ainda perdi a vida, ainda perdi a esperança. É sempre a certeza do desperdício. É sempre uma uma agressão inesperada, de quem a gente só sabe esperar amor. Uma violência com os planos que a gente fez, com as possibilidades, que nos foram tiradas sem aviso. É descobrir que a outra pessoa sepultou aquele sentimento e não te contou. Uma sentença de morte. Aliás, a traição é sempre uma história que nos contaram por último, tarde demais. Uma conclusão encoberta. É como um soco no estômago, que na hora deixa a gente sem ar, e depois só deixa a dor.

sábado, 24 de março de 2018

O que me faltou te dizer

Imagem de one day

A vida é uma prova, ela te faz a pergunta, mas as vezes só nos dá a resposta muito depois...  Eu queria saber disso antes, naquela época, mas só entendi agora.

Sempre conversamos tanto, mas nunca conversamos da gente de verdade. A única vez que chegamos mais perto disso foi no episódio da foto, quando brigamos e eu te chamei aqui pra conversar. Você, todo diplomático, não queria magoar ninguém, não tomou posição nenhuma e eu odiei! Sinceramente, quando lembro, nem acredito que fiz isso, que te fiz vir aqui só por isso, que  escolhemos sentar no banco do último bloco do prédio pra ter uma conversa que deve ter durado 15 minutos, ou menos. Eu podia ter falado mais, podia ter sido uma conversa sobre tudo, sobre o que eu sentia. Mas não foi. Você também não me questionou. Terminamos o assunto, te acompanhei até  a frente do meu prédio e sei lá por que, quando nos despedimos, nos beijamos e o intuito da minha conversa foi pro espaço. 
Até hoje não sei dizer o que o nossos olhos conversavam, sempre tinha algo que parecia ir além do amor de amigo, maior do que o carinho de duas pessoas que ja "ficaram" várias vezes "aleatoriamente", mas nós nunca confirmamos com o outro, nunca fomos atrás dessa certeza que só uma conversa franca nos traria. Nunca arrisquei te explicar o meu amor de olhos abertos, nunca arrisquei te falar e talvez não segurar o choro em meio as falas, nunca arrisquei não conseguir terminar as palavras pela emoção, nunca tive coragem de te falar da gente. Apesar de você conhecer muito, nunca me expus pra você a esse ponto, e me arrisquei te assustar e talvez te perder pra sempre. Ou não. Como nos perdemos. 
Eu fiquei esperando que a atitude partiria de você e talvez você tenha esperado o mesmo de mim, pra que aquilo se tornasse real, e não apenas um monte de suposições, de quase certezas, de versões de uma história que já estava acontecendo, mas que não aconteceu só porque a gente não disse que era real. Foi! Esperei que viesse a segurança de ter certeza que você me amava pra depois pular e só hoje entendi, que amar, muitas vezes, é justamente o contrário, pular sem nenhuma certeza, pra depois se descobrir seguro. Eu tive medo, tive medo da queda e me quebrei do mesmo jeito. Nunca imaginei que o amor pudesse ser assim tão complicado. 
Todas as vezes que estávamos juntos e eu dizia que te amava e você retribuía, eu nunca te perguntei em que sentido você estava falando, e eu precisava da certeza. Mas acho que tive medo de estragar o momento, jurei que você não saberia me explicar, que daria uma resposta evasiva como da outra vez... E talvez dependesse de mim, te falar o óbvio pra que você pudesse entender o que sentia. 
Naquela última vez que você veio aqui tudo parecia tão natural pra você, nós dois. Você me  cumprimentou com um beijo, como se fosse ter amanhã, como se isso fosse a nossa rotina. Eu me lembro tão bem daquele dia, o quanto eu estava feliz, transbordada, que nem me lembrava que não fazia ideia de quando nos veríamos de novo. Por que eu não te disse o que eu estava sentindo? Porque não te falei que o que eu queria era que você ficasse pra sempre? Porque não te pedi pra voltar no dia seguinte?
Sei que não tentei de tudo, que não apostei tudo. Mas nunca pensei também que fosse possível duas pessoas se amarem de tantas maneiras e ao mesmo tempo não conseguirem fazer esse amor acontecer. Não sei se foi o nosso caso e certamente nunca saberei. Mas hoje sei, que a vida exige coragem da gente, justamente, nos momentos que nós achamos que ela vai se encarregar de nos mostrar o caminho certo, porque o sentimento não vem com a imposição, nem com convencimento. Estamos sempre esperando um sinal da vida pra dar o próximo passo, enquanto ela nos observa querendo que nós tenhamos coragem, que a gente se arrisque. Mas só hoje eu consegui entender isso. 
Fomos imaturos e orgulhosos, a vida carregou tudo... a gente tinha um tempo pra se resolver e não sabia. Te amei tanto que achei que era transparente pra você, que tudo que já tinha te dito era suficiente para explicar o que sentia, tudo que te escrevi, todos as metáforas, as músicas que usei... Mas não foi. 
Tantos anos se passaram e só hoje me dei conta disso. Estou chorando enquanto escrevo porque nós complicamos tudo sem razão. Talvez sejamos sempre esse "e se" que depende de respostas que a vida nos tomou a oportunidade de perguntar... Ou talvez um dia possamos ter essa conversa que nunca tivemos... um dia, quando eu tiver encontrado alguém também, como você encontrou. Porque sei que é impossível hoje, e não farei isso porque não tenho e nem nunca tive a intenção de causar nenhum problema na sua vida... Mas manterei a dúvida no futuro onde tudo é possível e inacabado.
Sei que nosso tempo passou, mas só estou voltando nesse assunto hoje porque numa conversa esses dias, de alguma forma, consegui enxergar coisas que nunca tinha enxergado dessa nossa história. Talvez tenha sido a sinceridade de ouvir de outra pessoa que eu também possa ter contribuído para que esse "nós" nunca tenha se realizado, talvez tenha sido a clareza de ver mais uma vez que nossas vidas seguiram caminhos diferentes e nada mais é simples como antes. 
A verdade daquela conversa me golpeou, e eu, que nunca choro em público, fui surpreendida com um nó na garganta que há muitos anos não sentia e quase não pude conter as lágrimas, quase não consegui forçar minha voz, que ameaçava falhar... porque sempre escrevi muito da gente,  mas nunca tinha falado tão abertamente com alguém todos os sentimentos tão confusos que ainda sinto por você, e foi muito difícil segurar a emoção que me tomou. 
Hoje eu sei que falhei com a gente, com o "nós" que sempre quis, que fiz muito, mas não fiz o mais importante. Mas, sobretudo, percebi que de tudo que existe em mim, de tudo que poderíamos ter sido e  não fomos, o amor que sempre vou sentir por você é a minha única certeza.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Entre o suspiro e o grito

A falta esmaga o coração da gente, num indagar incessante do que aquela pessoa esta fazendo naquele momento,se ainda lembra de você, se ainda está sozinha ou se arranjou alguém... um monte de "se " que ficam rodando em nossa cabeça. 
E a gente se pergunta se estar separado é só uma pirraça do orgulho. Acredita que é só isso. Quando a gente gosta tem uma tendência a achar que é só isso, numa esperança que nasce sem a gente querer, como uma praga. A gente sempre acha que é importante pro outro, nunca enxerga que o problema (ou o engano) é esse e não o orgulho.
Eu não fugi a regra, hoje percebo. Desejei tanto que você voltasse que tentei ignorar a sua mudança naquela nossa primeira conversa. Alguma coisa estava errada mas decidi não dar atenção, resolvi esperar o dia seguinte. Acreditava que no outro dia encontraria aquele "você" de antes, me contando alguma coisa, fazendo alguma piadinha cheia de segundas e terceiras intenções e tudo estaria bem.
O dia seguinte chegou, o outro também... as coisas pareciam voltar ao normal, depois não. Sentia voce indiferente, intercalado com uns dias bons... E me perguntava se estava louca, se teria acontecido alguma coisa que mudou você por dentro, ou se eu estava pensando demais e guardava comigo...até a proxima atitude estranha acontecer.  Tentava te ler, compreender o que se passava dentro de você,  ia tentando me adequar a sua inconstância da melhor forma que podia, mas era como se esse tempo longe tivesse apenas nos deixados as diferenças, de todos esses anos que nos conhecemos só tivesse nos restado os últimos momentos de desencontros, a parte ruim de você e de mim,  onde tudo que se ouve parece estranho, e o que se fala é frustrante... A gente nem conseguia mais conversar. Quem diria!
Achei que teríamos nossas conversas divertidas e fáceis de novo, sobre o dia, ou qualquer coisa. Como quando nós ficávamos conversando sobre as músicas que gostávamos, e voce me mostrava as suas conversas com a sua mãe no meio da tarde, quando a gente conversava mesmo quando você estava bebendo com seus amigos e depois me mandava áudio às 5h da manha falando tudo embolado, repetindo 50 vezes que o sol nao ia te deixar dormir; quando você me mandava mensagem a tarde fazendo piada com o café...Enfim, quando sua vida caminhava ao lado da minha de algum jeito.
Achei que estávamos separados pelo orgulho e que se fosse para ter isso tudo de novo eu poderia voltar atrás por nós dois. Mesmo sabendo de todas as complicações envolvidas no que nós tínhamos, mas acreditava que voltariamos a ser os companheiros de antes, e pra mim, valia a pena. Mas talvez a memória só resgate os momentos bons...
Nada parece como antes, eu sinto que perdi tudo de nós, perdemos o caminho de volta para aqueles dias, mas ainda estou aqui, ainda estou tentando. Dentro de mim ainda tenho aquela esperança solitária e insistente, que só quem gosta possui, que sobrevive até mesmo a esse caos que nos tornamos, e nem sei bem dizer de onde a tirei, ou em que momento você me demonstrou algo no qual eu pudesse recorrer agora, pois já faz tanto tempo... Nesse momento eu não tenho nada, não tenho a mínima noção do que se passa dentro de você. E simplesmente nem sei de que forma é mais difícil, quando estamos separados ou juntos desse jeito. E isso me destrói!
Estamos 'bem' de novo, mas eu passo noites e dias inteiros me questionando se não estava redondamente enganada sobre tudo isso? Cada vez que nos desentendemos e eu acabo cedendo pra evitar uma briga, eu me desconheço, porque parece que estou me afastando de mim, faço tudo que sempre disse a mim mesma que nao faria e, ainda assim, parece que pra você isso não significa nada, e acho que só estou piorando as coisas.
Estamos "bem" mas eu não estou bem, porque nada do que fomos existe mais. Está tudo diferente, nada disso acontece mais, apenas os mesmos problemas. Estamos "juntos" e eu continuo com saudade de nós, dessas coisas. Estamos "bem" mas eu choro quase todas as noites, depois dessas nossas conversas desinteressadas, depois de todas as vezes que falo com você e fico sem resposta, me perguntando se nos falaremos no dia seguinte ou nunca mais. Estamos "bem", mas me vejo na mesma agonia de antes, tentando não ficar te esperando, tentando me ocupar até a raiva passar, pra gente não brigar, porque não quero reclamar a mesma coisa sempre, não quero brigar!
Mas ainda estou tentando, não sei por que, ainda estou buscando dentro de você aquela pessoa que gostava de conversar comigo, que se divertia na minha companhia, mesmo sentindo medo de me perder de mim em cada briga que tento evitar, respirando fundo, mudando de assunto e sorrindo enquanto sinto tudo doer, enquanto sinto você me empurrar pra longe sem palavras,  tentando entender se isso vai levar a gente, de fato, a algum lugar ou se só vai retardar um final que é inevitável.
Só queria que você voltasse a ser o que era antes comigo, que desse um pouco de valor por cada coisa que fiz pra gente ficar bem, que ao menos percebesse que eu estou tentando mudar e não errar o que errei antes.
Estou desesperada com isso, com essa sensação de que que estamos escorrendo pelo ralo, de querer de todo jeito impedir e não conseguir....sinto que preciso te ver, te encontrar em qualquer lugar pra mudar isso,  precisamos conversar olho no olho, pra ver se desse jeito somos menos brutos, pra ver se encontramos alguma forma de ficarmos bem... Ao mesmo tempo sinto também que independente do que eu faça, ja não adianta!
Sei que você me acha chata hoje, deve se perguntar por que eu fico sempre arranjando confusão, deve estar decepcionado pois achava que estar comigo seria mais fácil e na verdade é desagradável. Porque você não tem ideia de como estou me sentindo, meu peito está tão apertado porque em cada esperança que  meu coração planta você pisa e você nunca vai entender o quanto isso me machuca, porque você não sente por mim, o que eu sinto por você, essa é a minha conclusão. A nossa! Sinto tudo dentro de mim se encolher, porque a única coisa que percebo a cada esforço meu pra ficarmos bem é que a culpa é minha, de ter ido atrás de você se você nunca me disse que queria voltar. 
Dezembro de 2015

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

18 de maio de 2012

Esse não é o jeito certo de fazer isso, de consertar as coisas. Não foi certo o jeito que agi, eu errei, você também por muito tempo, mas dessa vez estou aqui pra falar do meu erro, exatamente no dia em que deixei as coisas ficarem assim, foi errado não olhar nos seus olhos e explicar tudo,mesmo que eu chorasse ou desabasse, mesmo que você não acreditasse em mim, eu devia ter feito,  porque foi um mal entendido que eu resolvi levar adiante...eu estava com raiva de você,seja razoável, estava decepcionada por não ter escolhido a mim e eu queria que você sentisse isso, queria atingir você, que você sentisse que dessa vez sim eu conseguiria te dar todo o desprezo possível, queria que você ficasse surpreso com a minha atitude que visse que eu era capaz sim de fazer isso depois de ter te avisado tantas vezes que faria. Quis tirar você do meu mundo, tirei as fotos, te exclui, não queria saber de nada sobre você,sobre vocês e naquele dia eu quis começar a te esquecer, como se não falar com você fosse te tornar invisível, aos meus olhos, ao meu coração, as lembranças. Mas eu vi, naquele mesmo dia eu te vi, quando me sentei a pouco de você eu te olhei ali e vi que tinha conseguido o resultado que pretendia, olhei pra você como se fosse outra pessoa enquanto não havia risco de cruzarmos o olhar e o fiz outras vezes durante a noite, mas enxerguei a mesma pessoa, a pessoa que eu amava... magoado. Estava partida por dentro,mal podia me sustentar sobre as pernas, os braços as mãos tremulas, nada descia...estava tudo em desequilibreo em mim, em minha volta... por ter feito o que fiz, por não possuir mais você de maneira alguma, por não haver nenhuma forma, nenhum lugar que você fosse meu, ou que fossemos ao menos o que já fomos...naquele momento também não era o que eu queria, naquele momento eu queria que fossemos um casal, ou nada! Mas o nada, depois de tudo é quase insuportável... e talvez seja tarde pra perceber isso,pra te dizer isso e não que eu já tivesse medido isso por alto, mas assim, pra valer, é pior! Agora que a raiva passou, só restou a tristeza em mim, de não ter conseguido lidar melhor e ter perdido você por completo, me restam as suas medidas, o seu espaço exato dentro de mim, que hoje é uma enorme lacuna,um vazio ainda maior, eu errei mesmo! Mas errei porque te amava tanto...e não sabia mais o que fazer com meu sentimento, era como se você tivesse me dito 'fim da linha', estava encurralada, eu e meu sentimento...e fiz tudo errado,por isso eu te peço que não seja tão duro em julgar as atitudes que tive, porque no fundo eu nunca te odiei e foi justamente por isso que dei os passos errados. Eu tenho pensado tanto nisso, tenho lembrado de tanta coisa que já não tenho paz por estarmos assim, está errado. Mesmo que seja pra acabar, mesmo que tenha acabado fizemos isso de maneira errada e eu espero que ainda haja uma oportunidade de te dizer que eu sinto muito pelo que fiz, eu sinto tanto e sou a que mais sente as consequências desse erro, desse corte...mas espero que ainda haja tempo para consertar!

domingo, 16 de julho de 2017

Que bom te ver!

Como é doido o que o tempo faz, o tempo faz passar muitas dores, superarmos perdas, nos refazermos... Mas é estranho quando brigamos com alguém e deixamos o tempo passar, sem um pedido de desculpas, sem uma reaproximação, de propósito ou não o tempo cria obstáculos para o retorno, dificulta a fala pois a intimidade já secou, ressecou os lábios para um sorriso, para esse ato tão simples e sutil. Com os anos, já não conseguimos sustentar o olhar, já não há a raiva, o arrependimento, a mágoa... tudo isso já passou, já não deseja o distanciamento, e vocês que um dia já disseram tantas coisas com os olhos sorrindo um pro outro, que já se reconciliaram assim tantas vezes, embora desejem fazê-lo já não conseguem. O encontro desses olhares é cheio de vergonha, de culpa, por terem sido tão egoístas e orgulhosos, por terem deixado as coisas chegarem a esse ponto, de ambas as partes. Mas talvez seja uma fase, talvez um dia consigam  se perdoar pelo erro e encarar o outro, talvez.
Depois de passados três anos sem nenhum contato com alguém que tanto amei, e amei de todas as formas imagináveis, e consequentemente de todas as formas também me feri. Depois de tentar esquece-lo, depois da paixão acabar, da amargura passar o orgulho desfez suas barreiras lentamente. E ainda vislumbro um amor, aquele que um dia dissemos um pro outro que nunca acabaria, aquele que você me disse que não acabaria mesmo que nossos caminhos fossem diferentes. E de fato foram. Mas me sinto tão feliz hoje, de ver que esse amor de amizade ainda existe, mesmo que seja lá no fundo, mesmo que seja um pouco. Tudo está explicado, não se faz necessário nenhuma conversa séria, tudo se dissolveu, se resolveu como sempre. E sinto uma paz... depois de achar que esse reencontro nunca mais seria possível, sinto que nossa amizade não mudou e ao mesmo tempo se renovou, tudo é diferente e igual. E ainda entendo o seu olhar, depois todos esses anos afastados, ainda entendo suas atitudes e sei que está tudo bem, enfim. Achei que já havia gastado todas as palavras pra falar de nós e que já não faria mais sentido escrever nada depois de 3 anos, mas faz: que bom te ver!




o outono que fomos

Estamos no outono de novo, faz frio e chuva e eu conheci uma pessoa hoje, mas só me lembro de você. E o que dói nisso tudo, não é o frio em si, que eu gosto, mas sim um fato: conheci uma pessoa, mas esse tempo sou eu e você um ano atrás. Esse vento é o mesmo da sua respiração, a mesma temperatura das suas mãos frias escondidas por debaixo do meu cabelo, no meu pescoço, enquanto eu conversava com outra pessoa e tentava disfarçar a sensação. Tem o som das nossas risadas como se estivéssemos sendo discretos, naquela nossa terceira primeira vez. Tem a mesma chuva que chovia enquanto você deitava a cabeça no meu colo quando nos deixaram sozinhos. O sopro gelado é o mesmo, as ruas molhadas, o chão do estacionamento do supermercado empoçado... Tudo é idêntico faltando você.
A quentura da minha cama, das minhas cobertas no meu quarto, a noite é a mesma de um milhão de noites de conversas nossas, faltando a sua voz. Quando começávamos uma discussão idiota e eu largava o celular e virava pra parede tentando dormir, te ignorando de propósito, começando a ficar com raiva depois pela sua demora para responder, e então quando estava quase pegando no sono, achando que você tinha levado a sério demais a brincadeira,  o celular começava a tocar freneticamente e eu sabia que era você. Tentava continuar fingindo que estava dormindo, rindo da previsibilidade, do nosso jeito idiota, da nossa sintonia... E acabava te respondendo minutos depois e nossa conversa engatava de novo que só percebíamos quando era 4 horas da manhã.
Dias e dias se passaram assim, eu e você e tudo que nunca vai ser possível explicar que existiu. Quando você me disse, numa dessas nossas conversas de semelhanças, que se a gente ficasse junto não iríamos sair de casa, porque nesse tempo preferimos ficar embolados, comendo pipoca, vendo os filmes e series que gostamos... Que falou que eu era sua e você era meu, e tantas outras coisas.  Mas como é possível explicar isso pra alguém? Como explicar isso que a gente tinha tao abstrato? Como explicar essas pequenas coisinhas, essas pequenas demostrações da convivência desse nada que tivemos, com todas as nossas conversas, nossas semelhanças, nossos segredos...  Como posso dizer que isso foi nada? Mas não sei explica-lo. Isso, que pra mim foi tão especial, não tem nome.
Os meses passaram e eu tô até hoje tentando entender o que aconteceu com a gente, com você. Em que momento passou a depender tanto de você a nossa paz. Talvez meu erro tenha sido acreditar que, como tantas outras histórias, a nossa também poderia começar assim, com uma amizade que dá tão certo  e escapa sem querer virando algo maior. Passei dos limites tentando recuperar nosso jeito de antes, sozinha. Nossas conversas sem fim, nosso companheirismo leve que não contava hora e até do seu jeito estranho de dividir as coisas comigo, seus áudios tossindo de manhã, as fotos dos pratos que estava comendo, a louça lavada, o café, as piadas... Mas de repente fiquei sozinha nisso.
Conheci uma pessoa hoje, mas não consigo enxergar alguém depois de você, procurar outro corpo depois que conheci o seu. Não consigo fingir que ainda não sei o que é estar completamente aberto e a vontade com quem gostamos, me forçar a acreditar que existe outra pessoa por aí em quem eu queira me aninhar novamente, que não seja você. Não consigo acreditar nisso, que vou me sentir daquele jeito outra vez. Eu tento, mas não consigo. Como posso sonhar com o rosto de outra pessoa depois de pegar no sono olhando os teus olhos dormirem? Me sinto ainda mais sozinha, ainda mais sem você nesses dias que tudo é igual, uma repetição do passado, de um ano atrás.
Nós que não deixamos nada pra voltar atrás, presentes para devolver, nem roupas para buscar. Que perdemos os amigos e a amizade nessa coisa sem forma, que não foi nem um relacionamento de verdade para terminar, nada que exigisse uma conversa pessoalmente para resolver a situação com o mínimo de respeito... apenas seguimos nossos caminhos apartados, pois não guardamos nenhum pretexto pra voltar. Guardamos apenas a hipocrisia, de fingir não ter sido nada, de fingir que ainda somos amigos.
Não tivemos testemunha de como, nem de quando começou e assim acabou, sem ninguém para intervim por nós. Um segredo que nunca mais falaremos, nem com você, nem comigo e só caberá aos olhos a recordação. Olharei pro chão, engolirei o choro... aquilo que poderia ter sido uma historia, desapareceu. Não ocupa lugar, não tem retrato nem documento, não existiu! E só lembra quem quer.