"Ora, pra que me enganar: você realmente pediu,sem pronunciar, você vinha pedindo, me deixe, olhe o jeito que te trato, repare em como não te quero mais, me deixe, e eu, de repente, naquela noite que poderia ter sido amena, me vi desistindo de um jantar e de nós dois em menos de dez minutos, a decisão mais rápida da minha vida, e a mais longa, começou a ser amadurecida desde o dia em que falei com você pela primeira vez, desde uma tarde em que nem tínhamos iniciado nada e já amadurecia o fim, e assim foi durante dois anos em que estivemos tão juntos e tão separados, eu em constante estado de paixão e luto (...)."
Não quero carregar os mesmos pesos do passado, arrastar por aí os sofrimentos conhecidos de anos atrás,carregar no fundo do olhar a tristeza que já me ronda de antes ,os sentimentos doloridos de um amor que nunca se consumará, não valeu! Um amor que existe em mim,pesado que e só eu que levo, só meu...não levarei! E então chega uma hora que algo faz com que você abra os olhos e olhe pra trás e você percebe que esperou por alguém,mesmo sem querer... por alguém que nunca veio e mais do que nunca, não virá! E é tão estranho,porque lá fundo,bem no fundo você sentia como se realmente algum dia fosse acontecer, como se no fundo cultivar um sentimento tão grande por alguém seria a garantia de que aquilo um dia iria se tornar real, pros dois, como tantas vezes imaginamos ou não,mas que um dia,algum dia,aconteceria. Eu não quis dizer que estaria aqui,não queria estar aqui ainda,era bom que isso fosse verdade, ao menos uma das vezes em que me propus ou impus a isso,se fosse pra por um fim, que fosse pra valer e não assim...Eu ainda estou aqui,sempre estive... por vezes tentei mostrar a ele que eu estava indo, que tinha desistido e decidido seguir meu caminho fechando a porta e indo embora,no entanto eu nunca fui, eu sempre estive atrás da porta de um..'quem sabe um dia...', porque não somos nós que sabemos,as coisas acontecem por razoes que desconhecemos,nunca sabemos. Isso não depende de mim...será? Agora eu me sinto como uma idiota que não conseguiu enxergar o óbvio, não era eu que estava sempre com ele,mas sim ELE que estava sempre comigo,eu carrega ele no meu coração,nos meus planos,nas minhas lembranças...em cada momento mais solitário,mais comum...quando colocava a cabeça no travesseiro, quando abria os olhos de um sonho qualquer pensando que um dia eu realmente iria dividir com ele as coisas que eu hoje e sempre imaginei dividir, dentro de mim, sozinha, durante todo esse tempo,em todos os meses que passamos distantes,em que nos afastamos tanto...sempre,eu acreditei nisso...por que? por que? Nunca existiu nem remotamente a garantia disso, um feixe de possibilidade palpável,mas eu acreditei,de verdade. Todos os anos,tudo que eu sabia dele, o que eu conhecia tão bem,os gestos, a vida dele,a história de nós, a história deles, tudo que eu desejava a ele,toda a dedicação em todas as coisas que eu fazia pra ele,que escrevia,o cuidado,o carinho...tudo que envolvia ele,que já havia se tornado um extensão de mim mesma,não seria a tôa, não podia ser, me levaria a algum lugar, traria ele pra mim um dia,algum dia... pensando bem, me trouxe a um lugar: exatamente aqui onde estou hoje,sozinha,como antes. Eu errei,sobretuuudo, eu! Quantas vezes me privei de demonstrar tanto,de dizer, de expor o que eu sentia e me entregar quando eu queria,quando ele queria...pra fazer o jogo dele,pra me valorizar...Mas no fundo eu nunca fui embora de verdade,e ele sabia disso, mesmo nas minhas tentativas tortas de provar o contrário... no próximo momento que ele me visse e que ele me olhasse nos olhos,que ele tocasse em mim, ele veria com total transparência,ainda que eu não quisesse, que eu ainda sentia a mesma coisa de sempre,meus gestos denunciavam isso o meu jeito,mais natural que fosse. Eu sempre estive atrás da porta,sem conseguir seguir meu caminho, pensando em voltar. Eu devia era ter permanecido ou ido embora de vez, minhas privações não me levaram a lugar nenhum nem as vezes que me entreguei, eu agi errado, eu hesitei,meu sentimento me fez hesitar, o coração queria ficar sem pensar no depois, pensando apenas no momento que eramos algo próximo a um casal, respirando o máximo daqueles dias,colecionando esses momentos doces, de nós dois... e a cabeça tentando me convencer a ir embora. O meu erro foi esse, talvez nunca tenha havido essa porta, pra que eu saísse e tampouco entrasse...mas achei que um dia o sentimento justificaria meus equívocos nos tornando um casal de verdade,sempre ficava essa esperança. E agora,onde estou,eu vejo uma distância enorme entre nós que não nos levou a lugar nenhum e com isso, perdi um amigo e não vale sonhar mais,as cartas são essas que colocaram na mesa e só, a porta foi fechada para mim e ele não está mais sozinho lá dentro e essa é a verdade,nada mais. Sem entrelinhas,sem nós, sem talvez,sem suposições,apenas um concreto... fim,por mais vago que tenha sido o 'antes'.
E então chega um dia em que você gosta tanto de alguém que..resolve tomar um caminho oposto a ele...você vai e vai bem com uma outra pessoa...aquilo não dá certo e entao você fica mal de verdade,como nunca esteve na vida,de forma que você chega a se estranhar sem ele,você acha que passou a ama-lo,que esqueceu aquele outro e,na verdade nem sabe o que seria pior..Dias depois você encontra aquele outro e ele cuida da sua dor e de você e então você esquece tudo que estava sentindo, e percebe com toda a clareza que ainda gosta tanto dele,mesmo depois de meses passados,mesmo depois de uma outra pessoa ter entrado...e saído da sua vida e você se sente até um pouco mal,por nem se sentir tao mal mais, por causa daquele outro. O tempo passa e você vive com aquele outro,momentos escassos de pura felicidade e cada vez mais tem certeza de que gosta tanto dele,de forma que nem sabe explicar como cabe um sentimento tão enorme assim dentro de você...mas nunca foi mais que momentos escassos,algo estranho,que nem chega a ser um relacionamento e você o conhece a tanto tempo e sabe tantas e tantas coisas da vida dele,ele faz mais parte da sua vida do que pode imaginar...e mais uma vez o tempo passa,sem que isso se resolva,ou termine, ou se torne em algo de verdade.
E de repente,quem reaparece na sua vida?Aquele que um dia te deixou,que você achou que amava,mas descobriu que nao, e é bom, da mesma forma que era e você tem a esperança que,mais uma vez essa pessoa seja a valvula de escape daquele que voce realmente gosta,e vai tudo bem,você se sente bem e feliz de novo e até então,enquanto esta com ele nem lembra daquele que você realmente gosta,da mesma forma que antes...até que no meio de uma conversa algo te faz lembrar do outro, pega de surpresa,com aquele em seus braços, esboça um sorriso e por tras dele uma lembrança,que nao se sabe ao certo se é doce ou não...por um momento você até pensa em falar em contar a ele dessa lembrança,como quem fala por falar...e quando essa pessoa te beija, é o beijo de outra pessoa que você estava esperando. O que acontece é que as vezes achamos que amamos alguém,quando na verdade amamos a forma com que ela nos faz sentir e isso nos confunde,mas amar mesmo,vai muito alem disso, porque quando a gente ama de verdade uma pessoa, nem sempre ela atende as nossas expectativas e nem sempre elas nos fazem sentir tão bem,mas ainda assim é difícil se desvenciliar do sentimento que guardamos,é um sentimento espaçoso demais que preenche muitos espaços em nós e isso explica muita coisa.
Uma página em branco,caneta na mão,livre-se de qualquer peso sobre os ombros, a essa altura, já não vale a pena... é tempo agora de afrouxar a gravata,tirar os sapatos,soltar os cabelos...livre-se também dos pensamentos escuros, aqueles que lhe fazem perder o sono,tudo passa! Enxugue as lágrimas,abra as cortinas,vista algo leve, esteja leve, esvazie o coração, de forma que o vento do verão te leve onde queira,faça planos novos,sonhe alto, erga a cabeça,sorria pro novo e vá em frente,abra as portas, desfaça as malas, perdoe-se ,ande descalço,abra os braços, seja um pássaro,por pior ou melhor,passou! Um ano novo vai chegar,é hora de pausar, respirar fundo e recomeçar,uma nova oportunidade,uma nova chance,nova...NOVA! Que mal pode haver? Eu agradeço baixinho,e sempre me lembro,um dia após o outro,depois da escuridão vem a luz do dia... faço novos planos,novas linhas a espera de mais um pedaço da vida que estou escrevendo, abro as portas do peito, dou asas ao meu coração,pra que ele encontre novas paixões,pra que ele aprenda a brincar de amar um pouco,quem sabe,pouse em algumas pessoas e depois retome a viagem, sem se prender demais,sem se entristecer,para se distrair... pra que ele acerte o lugar um dia e perca de vista o caminho de volta e de repente tenho a força e a coragem, que tanto me faltava, nem sei de onde veio, e ainda que seja só por hoje, eu já me sinto muito melhor, tento pisar firme, tento me mexer,acertar,correr,voar...pra cima,pra longe olho pro céu e me dou conta de que passou rápido...mas passou! Mais um ano vai chegar em meio aos fogos na praia,na chuva, entre os desejos desesperados,diante das consequências e das bagagens do ano que se despede,nos sorrisos e nas lágrimas que escorrem no rosto daquele que conversa com Deus,que faz seus pedidos, esperando e acreditando no ano que vira,e tudo que se pode fazer,agora, mas venha, então venha 2012!
Porque o que eu preciso mesmo é de um amor que preencha todos os meus espaços e lacunas, um amor de verdade que me envolva de formas diversas, uma dose exagerada de carinho e cuidado... um amor expresso de todas as formas,que me tire o fôlego e me tire do chão, invada meus esconderijos,espante meus meus medos, um amor que entre sem bater e me tire pra dançar. Um amor que eu desconheço,que seja novo e só meu, que me faça suspirar mil vezes ao dia e seja diferente de tudo, que venha em forma de chuva ou de onda,que me leve a lugares que nunca fui, que plante raízes em mim e me cultive,me cative e me cace! Preciso de um amor que me roube e dê asas ao meu coração,que ultrapasse minhas barreiras,me desarme e me vença,que seja o sol dos meus dias,um amor de olhares intensos e toques suaves, um amor de vendaval, um amor que me surpreenda e me descubra e me aceite,que se apaixone por mim,que me apaixone incontáveis vezes,me conquiste,um amor de olhares suaves e toques intensos, que me cerque,que me busque e me queira, um amor que me cubra de risos e em todos o gestos mais doces, amor,amor,amor! E me reviva afogada em alegria,até que eu não acredite ser real esse tanto de amor.
Que eu sei que é melhor assim,as coisas se desfazendo aos poucos, as possibilidades se afastando, de acordo com o tempo que se passa e só depois a gente conta, e assim quase não dá pra perceber. Que não vai haver próxima vez, talvez nem uma próxima possibilidade e as palavras por fim, perdem o sentido, ja nem queremos dizer... e ao mesmo tempo doi, e meu coração bate em desespero,ao mesmo tempo eu sinto que tudo isso ta me deixando, deixando nós dois num passado cada vez mais esquecido, nos tornando desconhecidos,quem diria,depois de tudo. Ninguém vai abaixar a guarda agora e nesse deserto infinito eu não quero mais caminhar,um dia não volto mais! E o tempo ajuda a pôr os as reticências no fim de uma história sem título,de duas pessoas que se perdem aos poucos,cada dia um pouco mais,até se perderem de todo, e se passou muito tempo... E é melhor assim, não enxergamos um ao outro e por isso também não vemos um ao outro partindo e só depois que nos lembramos que nem nos despedimos... Ouço esse silêncio gritando todos os dias e estou me acostumando a nunca,nunca ter seus gestos em qualquer conversa,em qualquer esquina,em qualquer dia. Por fim...acho que é melhor assim,é melhor pra mim.

E muito tempo vai passar assim como estamos e nem somos mais capazes de calcular esse silêncio, quão distamos estamos, quantas coisas deixamos ficar no meio de nós e nem vemos mais um ao outro, são quilômetros talvez,semanas e meses inteiros,são novas pessoas, novas histórias, são as mudanças que não sabemos, a vida seguindo, a poeira do tempo passando, obstruindo a visão um do outro, é a ponte que nos ligava se partindo, são os caminhos se retorcendo, os caminhos mudando, se distanciando sempre mais. Passo na frente da sua casa e já nem sei se você ainda mora nela, pra mim ainda é a sua casa,mas como posso saber? E depois de todo esse tempo, restarão minhas cartas aí, velhas cartas, e talvez você se lembre delas quando sentir o frio do silêncio que permanece, e talvez você as releia, procurando o alento que aquelas palavras, um dia tão calorosas, te fizeram sentir... e talvez você ainda tenha aquele caderno que era pra eu guardar palavras suas,mas que você nunca escreveu e nunca me devolveu, e talvez em uma dessas tantas vezes que você abre e fecha a gaveta, você pare um instante pra olhar a foto na capa e que você se acostumou o ver ,e você agora olha apenas pra enxergar com clareza aqueles traços conhecidos do qual se lembra e os traços nem são mais exatamente esses,mas nesse rosto agora você vê muitas coisas, uma parte da própria vida que também já passou.
E enquanto seguimos assim, cada vez menos o que fomos, num dia de manhã bem cedo volto naquele dia,dentro do carro do seu pai,estou sentada do seu lado enquanto você dirige,por incrível que pareça não estou olhando pra você nessa hora, e você pousa uma mão na minha perna com a naturalidade que habita meus sonhos,vira pra mim e me solta um beijo enquanto o sinal ainda está vermelho e nem a distância minima que havia entre o nossos bancos, existia de verdade, nós estávamos próximos demais...ah...
E então volto a realidade,ainda mais distante do que fomos naquele dia e a clareza da lembrança,tão real até me dói e dói ainda mais, porque estou sozinha com ela enquanto o dia começa.

Cansei da rotina, de ouvir 'bom dias' vazios, de sorrir por educação,de ouvir vozes que são monótonas pra mim, de responder perguntas inúteis pra não tratar mal pessoas que na verdade nem gosto e nem faço questão, cansei de só observar as atitudes de alguém que se acha esperto e te acha boba,sem dizer o que essa pessoa merece ouvir, de fechar os olhos pra certas coisas e de fingir não ouvir umas outras e me calar. Mas também cansei de gritar minha saudade por aí e de senti-la também, cansei de correr atras das pessoas, dos amigos e de paixões, de tentar juntar pessoas, de tentar mantê-las, de tentar trazê-las de volta,de segurar as rédeas e me segurar no passado. Segurar o passado nas mãos com toda a força pra que nada mudasse, pra fugir do presente,talvez. De viver,talvez e renunciar também... de deixar meu orgulho de lado, de ser um mostruário de lembranças pra provar àqueles que tanto gosto que poderíamos ser mais do que somos,porque já fomos... O silêncio da indiferença as vezes fala mais alto que um grito,concluo. E em alguns momentos até ser indiferente exige um esforço maior do que se você gritasse,mas as vezes não,porque nem mesmo se exaltar é merecido por alguns. E nem o esforço de segurar as rédeas de tudo...se as pessoas e o tempo são cavalos desgovernados, não cabe a mim estipular seus limites,nem tão pouco domá-los. Fecho meus olhos e respiro e abro as minhas mãos, porque não sou dona de nada e não posso faze-los ficar, porque a vida é uma via de mão dupla e quando realmente se quer voltar,simplesmente o fazemos, porque é preciso pesar os esforços de ambos e correndo, o cavalo te tomba e eu não tenho asas,quem tem asas é o amor, que vai pra onde quer!

Tô aqui me lembrando de tanta coisa, olhando pra trás agora e vejo como as coisas mudaram,quase tudo mudou,como nós mudamos,como eu mudei em relação a ele,como as nossas vidas mudaram....estamos tão distantes que já nem enxergo bem como éramos, e tantas vezes eu temi que isso acontecesse... Uma parte do que fomos,eu sei,se foi e é irreversível,e não adianta eu correr,tentar resgatar isso. Não se tratava mais da uma amizade que tivemos apenas, havia tanta coisa...e nem que eu quisesse eu encontraria uma forma de fazer isso voltar a ser como antes,e eu tinha tanta coisa pra falar e ao mesmo tempo sentia que não adiantaria,porque alguma coisa foi afastando-nos um do outro e ponto! Não nos vemos direito,ele tem outros amigos agora,quase não saímos juntos,não conversamos,muito pouco nos falamos. E eu sei que ele ta bem,que ta tudo certo com ele,graças a Deus, mas não digo nada,não falo da saudade que sinto,não falo dos sonhos que eu tenho,não falo das lembranças que tenho da gente... e é essa parte,que talvez nunca mais iremos resgatar,porque não depende de mim,não mais,eu já fiz de tudo e chega um dia,que nos esgotamos! É quase irreal o que já fomos,todos os dias,por anos e anos... é quase irreal isso que somos agora, o silêncio fala alto demais pra que eu me esqueça,o silêncio que permanece entre a gente até nos encontrarmos por aí outra vez. Mas nunca muda, nunca muda a forma como não ficamos perdidos no meio de toda essa distância e silêncio,no meio dos caminhos que agora estão meio desencontrados...quando nos vemos e nos falamos pessoalmente,está tudo intacto,é um dejavu...isso nunca muda, e somos amigos ou mais que isso,ou a mistura dos dois, e somos o que sempre fomos quando estamos frente a frente,como se mesmo que uma parte do passado estivesse completamente danificada, a outra,pelo contrário,estivesse viva e forte,como se aquilo tudo tivesse acontecido durante uma semana,como se alguém tivesse regado aquelas flores hoje cedo e nunca estivesse as esquecido por aí. Ele diz que 'me ama e que por mais que o tempo passe tem certeza que isso não vai mudar,por mais que os nossos caminhos sejam diferentes' e que 'estamos sempre juntos em pensamento'...não adimiro o jeito que ele ME 'ama', nem sequer acredito muito,mas talvez ele tenha razão nisso, talvez essa seja a única explicação pra toda essa loucura,talvez o sentimento esteja regando essas flores,sem deixar que elas morram e só Deus sabe até quando será.