domingo, 12 de julho de 2015

Sobre a falta dela...

Revenge | via Tumblr



Essa casa grita a falta dela, em cada coisa fora do lugar, está tudo torto, inacabado por causa dela. Cada um de nós carrega uma limitação por faltar ela. Eu não sou inteira, nunca serei, nunca serei normal por causa dessa falta, tenho plena consciência disso.Se alguém algum dia me quiser saberá que esta levando alguém quebrada, faltando uma parte, um objeto defeituoso, alguém cheio de traumas e fraturas.

Muitas vezes digo que essa historia de ter um par e um amor constante me dá sono, que ainda quero viver muitas coisas... porque aprendi a ser cínica, aprendi a mentir. Porque tenho medo de gostar de alguém que não vá querer entrar nessa vida torta que tenho, morro de medo de gostar de alguém que não vá suportar minha loucura. Eu nem tenho coragem de abrir minha vida para alguém outra vez de caso pensado. Mas eu finjo que não é essa a verdade.

Porque eu queria sim amar alguém que me quisesse apesar de tudo. Todo mundo quer! Alguém que escolhesse viver os meus medos, entrar no meu emaranhado, alguém que conseguisse enxergar alguma vantagem em estar ao meu lado, ainda que eu mesma não consiga.

Eu me sinto em desvantagem, me sinto injustiçada em relação as outras pessoas, desprotegida. E sei que ninguém tem culpa. E digo que aceito bem, que já nem choro quando falo dela, mas também sou falsa! Porque as consequências dessa falta estão tão entranhadas em mim, que as vezes acho que já nasci assim, despedaça, repartida.

E a vida é tão simples para as pessoas que tem aquela família de porta retrato, completa, que passa despercebido a grandiosidade que há por trás disso. Quando você tem alguém pra avalizar seus passos quando tem um responsável por trás de todos os erros que você comete, quando tem alguém pra recolher seus pedaços quando algo te parte ao meio. E eu sei que tenho. Tenho o melhor pai do mundo, o melhor pai que poderia imaginar e não duvido disso nem mesmo um segundo. Mas preciso da minha mãe, muitas vezes preciso apenas dela e ninguém mais!

 Eu sinto essa falta, sinto falta dessa mulher pra me espelhar, sinto falta da minha mãe quando olho pra minha casa, quando olho pra mim e vejo que serei sempre uma mesa manca, uma xícara sem alça. Quando entendo que não sou o tipo de escolha fácil e que o porque disso nunca poderá ser mudado, porque eu não posso traze-la de volta, não posso mudar os caminhos que minha vida percorreu.

E eu sei que ela sabe que eu sou forte também, que tento de uma forma meio errônea assumir o papel que a vida me impôs, que impôs a nós. Que já apanhei muito pra aceitar essa realidade e que muitas vezes as pessoas, com o intuito de me fazer crescer, apenas me faziam lembrar que eu nunca poderia suprir a falta dela, porque eu não escolhi isso, não me preparei pra isso e nunca me prepararia, pra vê-la partir tão cedo. E que eu também preciso de um colo, eu preciso ser filha, eu preciso ser criança, ser protegida, preciso que ela me diga o que fazer, ainda.

Venho tentando dar os passos certos, tomar as decisões certas desde os 10 anos, tentando sempre adivinhar o que ela me diria pra fazer... não tive pressa em virar mulher em alguns aspectos, porque em outros precisei ser mulher cedo demais, mas ainda erro, e nessa altura da vida, ainda preciso dela, ainda preciso da sua orientação... e sei que sempre irei precisar.

Sei também que onde quer que ela esteja, não está gostando desse texto, porque sei que se fosse permitido a ela escolher, ela teria escolhido ficar, com toda a dor e sofrimento inerentes, pra que nada disso nos afetasse. E já antecipo as desculpas, e peço que não se sinta culpada pelo que escrevi, porque sabemos que nada disso cabia a nós decidir. É esse é só o meu jeito de gritar, meu jeito de colocar pra fora tudo que não seria capaz de dizer, de me confessar, é a forma que inventei de pensar e continuar lúcida no meio dessa loucura.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Segunda carta

Querido Amigo,

Dessa vez não haverá Juiz para resolver o nosso impasse, para resolver nosso conflito infantil e dizer quem tem razão de nós dois. Ambos teremos que nos questionar em silêncio sobre as consequências e as causas dessas nossa briga. Te confesso que sinto o mesmo pesar e saudade que depositei naquela carta velha  que escrevi anos atrás e não te entreguei, e aproveito e te explico que apenas não o fiz porque você estava numa dessas fases de sumir da minha vida. Achei que não fosse se importar com nada que estava escrito nela, do meu carinho pelas memórias da nossa amizade, e resolvi guardá-la. Espero que se importe agora.
Preciso dizer que nesse momento sinto um misto de sentimentos e não estou conseguindo organizar meus pensamentos, tem mil coisas passando dentro de mim: No meu coração eu me pergunto se devo repensar seriamente a relação que temos hoje, tudo que deixamos pra trás. Venho repensando todos nossos passos até aqui, e as vezes sinto que ta tudo errado, porque era pra ser divertido, sempre foi! Sempre fomos assim, nunca levávamos nada a serio, não falávamos nada serio, era sempre brincadeira e o fundo de verdade era a amizade verdadeira que criamos.
Mas nós tivemos um desentendimento idiota quele dia, frustramos as expectativas de ambos, discutimos. Não gostei do jeito que você falou comigo, como se nem ligasse pro meu show, como se eu fosse um ninguém. Provavelmente teve seus motivos para isso. Provavelmente fui grossa com você também.  Estamos quites, mas  brigamos mesmo assim. E de verdade dessa vez. E sinto uma tristeza, como se esse fosse o último fiapo que resta daquela nossa amizade leve, divertida e despretensiosa. Como se já tivéssemos perdido tudo aquilo. 
Nós já mudamos tanto nesses anos, mudamos nossa convivência, nossa conversa fácil, eu notei. Mesmo assim, tudo que queria nesse exato momento era que você me procurasse, me mandasse uma mensagem me chamando de Feia, Branca, ou qualquer coisa! Qualquer coisa que provasse que eu estou errada, que mostrasse que nós ainda guardamos um pouco daquilo, que podemos ser um pouco como fomos, e  só por isso eu ainda estou aqui, muda, separada, agoniada. Ou talvez, se nos encontrássemos e eu pudesse ver que não há mágoa da sua parte, que no fundo esse tempo era só brincadeira, como sempre, visse você fingir me ignorar de mentira com um risinho disfarçado...tudo estaria bem. Mas quanto tempo isso levaria? E se você tiver se zangado de verdade? E se você recusar qualquer convite que possa te colocar no mesmo lugar que eu? Não posso deixar que isso aconteça, não quero correr esse risco com você! E temo que algo esteja me dizendo que essa seja a nossa sentença, nossa estaca final e por isso eu estou aqui morrendo de medo de estar certa. 
Estou contando os dias, suspirando pesado, chorando por dentro pensando nos efeitos desse tempo, porque não é essa a intenção, não é assim que tem que ser. Não com a gente! Você podia me ligar e me xingar, me mandar uma mensagem tentando recomeçar nossa briga, porque isso demonstra que você esta ruminando essa tristeza tanto quanto eu, demonstra que eu ainda te sirvo, ainda que pra te causar raiva. Mas a inércia não, a indiferença não. A indiferença é muito pesada pra nossa amizade leve, a indiferença não foi feita pro nosso tipo de amizade, sempre tão divertida, livre desses joguinhos e disfarces! Com o tempo nos ficamos sem jeito, estranhos, perdemos o tato. O tempo cria arestas em nós, resseca a intimidade do riso, das piadas, nos torna desconhecidos outra vez. Eu sei como é. A indiferença enterraria nossa amizade para sempre e de uma vez, seria um infarte fulminante dos amigos que somos. E eu não quero nunca que seja assim, fico triste só de pensar! E estou esperando que você também!
Vamos ficar de bem?

quarta-feira, 10 de junho de 2015

crime confession

Want!


 Já há algum tempo que nós dois não temos mais a inocência de antes, aquela que há entre duas pessoas que apenas cogitam, se imaginam tendo algo mais, nós ultrapassamos esses limites, nossos antecedentes estão manchados para sempre. Somos agora marcados pela tensão quando estamos juntos em público, receosos a todo tempo de que alguém perceba demais, em uma dessas vezes em que olhamos no olho do outro quando trocamos algumas palavras, no nosso jeito próprio de conversar, que alguém descubra o que aconteceu naquela dia. Eu meço minhas palavras, tento agir o mais normal possível, as vezes fico muda pra  não dar brecha às pessoas de nos observarem, nos estudarem, estudarem  nossos gestos, a inquietude que a proximidade nos gera, nossos risos meio presos, o olhar distante enquanto regressa a memória daquela noite... e perceberem que houve algo além desse nosso teatro. Mas aí voltamos a conversar, para não levantar nenhuma suspeita e você fala da sua casa, encenando uma perfeita distração na voz, como se eu não soubesse onde é, e eu finjo que não sei, finjo que nunca estive lá. Minto! Por vezes fico tentada a te mandar uma mensagem, agoniada por retomar nossa convivência de antes, e sentindo ao mesmo tempo medo de que você, ao contrario de mim, esteja se esforçando em não repetir os  erros que um dia cometemos. No entanto, basta alguns poucos momentos a sós para se perceber que deixamos algo inacabado que nos impede de regressar do ponto que paramos, nos impede de fingir para o outro que não existiu. Nós somos cúmplices do mesmo crime, mantemos as aparências de inocentes em frente as outras pessoas, mas quando estamos sozinhos  nossas conversas evidenciam o erro, nos incrimina!  O jeito que nos portamos mostra o que já fizemos, que sujamos nossas mãos juntos, que algo aconteceu. Há uma intimidade que acobertamos, pois estamos fadados a transgressão, a praticar todos os ilícitos que nos rodeiam, um crime no qual já estamos condenados a reincidir!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

também passará

Bainha de Fita Crepe
E o máximo que te diria, se inda fizesse sentido, seria "que eu tive uma quedinha por você" e que, como no filme, "você me curou de você".
Gosto desse seu olhar analítico enquanto me ouve falar, percebendo os traços do meu rosto, meus defeitos e expressões... e quando esboça aquele sorriso tranquilo no final. E gosto da sua companhia, mesmo quando silenciosa, pra ficar me perguntando "o que foi?" ainda que eu não esteja dizendo nada, apenas te observando do meu lugar. E rindo, sempre que respondo o meu "nada" habitual e vice versa. Gosto do seu mau humor forçado, da sua mania de me criticar com o único intuito de criar um assunto para discutirmos, pra que eu não permaneça quieta. E o seu sorriso, quando eu acabo entrando nesse seu jogo idiota de implicância. Eu faço e refaço as contas mentalmente de quantos dias ainda tenho, e percebo que já não conto com muito... é triste pra mim saber que o final se aproxima, e esteja agora na sombra do próximo mês ou da próxima quinzena, quem sabe, porque nós nunca mais seremos assim outra vez. Por vezes divaguei repassando mentalmente nossos altos e baixos, da época que estávamos tão íntimos e como tudo foi mudando com o tempo. E mesmo sabendo que o fim chegaria pra nós de um jeito ou de outro, é inevitável essa sensação ruim embolada na garganta. Eu gostei de você desde o começo, com aquela conversa fácil, puxando assunto com despretensão, mas foi depois que nos tornamos amigos e é engraçado como tudo parecia errado no momento que percebi o quanto me fazia bem você. E era! Tudo errado! Errado repetir aquela velha "história da amizade". Nossa amizade estragou tudo,eu conheci demais você pra que permitisse que acontecesse algo além, soube do que queria e não queria pela sua boca e as vezes pelas suas atitudes, quando você  não me contava... e olha só, ainda somos "bons amigos" e teremos um final pacífico, que quase passa despercebido. E eu sinceramente não sei explicar a moral dessa história e calcular o que valeu a pena realmente. Porque sei que mesmo sem querer, você foi o único sentimento doce que passeou por mim depois de tanto tempo, sem que  até hoje eu possa explicar o por que, eu que nunca me interesso por ninguém (como você dizia), que piada! Mas a vida é uma piada e ri na nossa cara. E tudo isso vai ficar pra trás e sei que passarei por você ainda varias vezes, distraída e vou te cumprimentar daquele jeito excessivamente feliz, que te irrita. E você já  nem irá se irritar com minhas palavras impessoais, pois já terá passado esse tempo, aqueles dias, nossa intimidade, nossas longas conversas madrugada a fora... já teremos feito o (triste) caminho reverso do tempo, de nos tornarmos meros conhecidos outra vez. 

terça-feira, 29 de abril de 2014

you know, that I'm no good

Likes | Tumblr


Eu esqueci de te contar desse meu problema... esqueci de te explicar o que me retrai, o que retesa o meu rosto, o que me deixa acoada. Esqueci de te dizer que quando eu sinto essas pequenas mudanças, eu mudo na antecipação pra tentar me proteger, e proteger o que temos, e isso me magoa, me fecha. Cada vez que vejo as diferenças no jeito que está agindo comigo agora, passam milhares de coisas na minha cabeça. Eu penso que errei, eu tenho certeza que errei e tento mudar, tento parecer indiferente e de repente eu sumo por um tempo pequeno e me torno amarga.
Aí eu sinto saudade, eu sinto uma tristeza no fundo, que vai levando meu riso aos poucos e então eu tento voltar. Uma hora ou outra dá certo, a gente brinca, se irrita um pouquinho mas depois ri... mas uma sombra paira sobre mim, e eu sinto que nos afastamos demais, parece que mudamos demais, rápido demais. E me perece que já não consigo ser como era...
Parece que nossa amizade se quebrou antes mesmo de trincar. Eu queria voltar, EU QUERO! Mas eu sinto um fiapo de aspereza no final das nossas conversas agora, das coisas que você diz, e desde que senti isso a primeira vez tenho tido medo, como se estivéssemos andando sobre o gelo que começa a se partir aos poucos... EU quis fingir que não ligava, eu quis correr pra não afundar mais uma vez, não com você! Pra que não nos tornássemos mais uma história de erros, do tipo das que te contei.
Esqueci de te explicar o quanto isso me assombra, eu paralisei, nem olhei na sua cara, "meti os pés pelas mãos", mas estou em pânico outra vez... Ajo assim quando sinto que estou perdendo alguém que eu gosto.Talvez seja tarde demais...Eu acho que foi cedo!

sábado, 8 de março de 2014

today

Facebook



Acordei fora do prumo, num desses dias em que tudo sai do eixo, quando aquilo no qual  já se está acostumada te causa estranheza, como a minha solidão.  É tudo uma gritaria de silêncios em torno de mim, minha própria companhia não me basta, esse 'precisar de alguém'  reclama, essa falta, esse vazio me importuna. O telefone toca em silencio várias vezes por dia, eu olho de minuto em minuto como quem espera noticias...de quem? Estou sentada sozinha, desse jeito que costumo ficar bem, comigo mesma, mas não hoje! Me viro pro nada e sinto o vazio tão presente, que olho em seus olhos sem rosto e suspiro... eu sinto esse deserto sem fim sentar ao meu lado, soprar em meu ouvido que estou sozinha, estou sozinha, estou sozinha! Estou esperando uma ligação, um afago, um beijo no lábio, estou de braços abertos pro vento, pra um ninguém. Você me pergunta se eu temo que isso seja pra sempre, descreditado e eu te respondo que com certeza sim, mas você afirma,incontroverso que isso não vai me acontecer...claro que não e eu não sei se acredito. Não sei se suporto mais a mim mesma, preciso que alguém bagunce tudo aqui, alguém que tenha tempo pra mim e no meio da correria me faça parar, preciso desse tipo de fôlego,ou alguém que me deixe sem ele, preciso desse calor de abraço, esse cheiro de roupa lavada a me amarrar. Alguém que não me deixe afogar, na própria intensidade.
"A mesa reúne
um copo, uma faca,
e a cama devora
tua solidão."

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

just almost friends

dark vintage  | via Tumblr


Conviver com você diariamente é um afago no riso, andar na beira do precipício, são cócegas do vento e um puxão de cabelo. Não chega a ser um sentimento, é o que me faz sentir.. É uma leveza, uma companhia, é esse flerte de leve, os olhares e risadas. É uma brincadeira, porque é de mentira. Gosto de estarmos perto, gosto quando nossos horários coincidem proporcionando esses encontros não marcados. Não é obsessão, nem paixonite, nem apego, é só um bem estar, um morde e assopra constante, só instigação. Quando você demora a chegar, algo parece estranho ao meu redor e só depois eu entendo... Aí, te dou bom dia, mas quando você me responde eu digo que falei com outra pessoa só pra rir da sua cara e tudo começa. Estamos rindo juntos um do outro. As vezes estou  irritada por algum motivo e seu sorriso de compreensão me aborda... as vezes um risinho de quem se diverte com meus chiliques se escancara só pra me ver mais irritada, mas eu acabo rindo com você e rindo de mim mesma... Ou até mesmo quando me atrapalho, encontro sempre sua expressão de curiosidade e gozação a me observar. Mas eu gosto! Gosto quando estou totalmente distraída e sinto algo que você jogou em mim e olho pra sua cara mais cínica do mundo me encarando, sorrindo, triunfante e é essa coisa boa de você que me reverbera em mim., é isso que eu mais adoro! Nós somos quase amigos e somos cúmplices... Eu sigo meu script danificado outra vez, pinto meus olhos pra te ver melhor e no fundo sinto que estou andando do lado errado de novo, mas depois de tanto errar já se sabe exatamente o que  é fugaz e...tanto faz.

domingo, 19 de janeiro de 2014

my beautiful bastard


Eu fico ali no meu lugar, em silencio te observando, o movimento das suas mãos de homem... Fui fazendo isso tantas vezes sem perceber a fissura, sem perceber que quando chegava em casa, trazia um pouco de você comigo, quando me pegava lembrando dos seus gestos e falas, as vezes com raiva, as vezes admiração... E eu queria juntar algumas coisas para conversar quando estamos só nós dois, mas você me deixa tao nervosa que não consigo pensar em nada direito. E enquanto te observo, eu só consigo pensar que eu adoro esse seu jeito serio, de fingir ser bravo, dos seu sorrisos retidos, reservados a poucos. Gosto da sua carranca naturalmente seria. Mas também gosto de quando você xinga nas suas conversas de homem, em que tento ser totalmente invisível pra que você continue, de quando esta descontraído, dos seus olhares expressivos pra mim,  de quando da um riso solto de alguma piada minha, e de te ver fora desse lugar de sempre falando de assuntos comuns e descontraídos. Gosto de quando você é cavalheiro, quando segura a porta aberta esperando que eu passe, quando me ensina qualquer coisa falando baixo, paciente e feliz, gosto desse seu charme simplório, de quem é charmoso sem se dar conta, que chega a ser bonito. Da sua naturalidade de usar as palavras certas. Gosto dos seus sinais de posse de brincadeira, de quando me olha, de quando esta lendo compenetrado apoiado nas mãos, esbanjando um charme sem nem perceber. Gosto quando brinca comigo ou quando me protege, gosto das músicas que toca no seu carro, de quando implica comigo, como naquele dia em que abri a porta da sala de audiência  em rompante acertando suas costas sem querer e você disse 'tinha que ser você', discretamente. Eu sempre tive um pé atrás contigo, sempre te achei tão serio, passando por aí alinhado, com o mesmo semblante retesado, a mesma expressão de poucos amigos, de gente que rosna; e muitas vezes você é assim, de dar raiva, tantas vezes foi  estúpido sem necessidade, algo que, com o tempo, percebi ser inerente a você, uma característica...ruim, mas sua. Agora, que se passaram tantos meses eu percebo que no fundo você não é tanto como eu pensava, que sua braveza é na maior parte proposital, é sua mascara cotiada a quem te olha de longe e que de perto é uma pessoa agradável, com uma porcentagem estúpida que vai sem querer. E eu gosto de você, e até  sinto um gostar recíproco, ainda que com toda a implicância, que também é coisa sua.
E eu só estou falando disso porque esses dias me dei conta que vou sentir sua falta, principalmente dessas coisas boas, da vez que saímos pra tomar um chopp e você estava tão diferente...vou sentir falta das vezes que você me olha e parece ter a mesma idade que eu, vou sentir falta do seu ritual de chegada, tirando as coisas do bolso e dobrando as mangas da camisa até os cotovelos, de te ver sempre. Você bem que podia só mudar de andar...