terça-feira, 21 de julho de 2015

como acaba ou acabou...

... | via Tumblr


Sei que não estabelecemos regras para isso, que nem sabemos o que é. Na verdade, quando se começa algo assim, não se tem um ponto de partida, não se estabelece nada. Uma conversa leva a outra, que nos leva a um momento e nem sabemos explicar o sentido dessas coisas que dizemos e fizemos. Nos forjamos para parecermos e nos mostrarmos aptos a entrar nessa, para nos deixar levar pelo momento, pelo desejo, para sermos loucos em companhia e acabamos nos mostrando de verdade, acabamos nos abrindo, deixamos que aquela pessoa entre, que nos descubra, nos conheça... acabamos nos despindo e confiando, sem nos darmos conta.  
Abrimos um espaço para o outro em nossos dias e nem nos tocamos, guardamos um assunto para contar apenas aquela pessoa sem notar, reservamos o travesseiro do lado para aquela pessoa sem perceber e vamos nos acostumando a nos importar com o outro sem  nenhuma razão aparente. Acostumamo-nos com uma situação que nem sabemos nomear. Tampouco definir quando começou, ou mesmo  que sentimento circunda essa... relação? Será que tem um nome pra isso e nós que nunca soubemos? Ou será que isso não é nada?
E quando nos damos conta disso tudo, da intimidade, da costume da companhia... nos assustamos, nos recolhemos, recuamos pelo medo! Porque não era esse o planejado, não era esse o nosso combinado (tácito). E  aí num dia qualquer, basta que o outro diga uma palavra com uma conotação que nos desagrade, algo que nos faça sentir sem importância - a alguém que tanto nos importa - para que nos magoemos e comecemos uma discussão (as vezes absurda) de coisas que não se quis dizer e reclamações que não se sabe se pode fazer, impressões erradas e coisas por falar, pois não se sabe se pode falar.
Tudo motivado pelo medo de ter se envolvido demais, de ter errado nas medidas, se descuidado... Fica tudo pela metade ou cheio demais, as proporções não se ajustam, na verdade nem se sabe quais são as proporções, é tudo diferente, não se sabe mais o que é certo e errado, o que é adequado. Passamos a nos indagar um milhão de coisas...Que distancia devemos manter um do outro para que não queiramos ser tratados como alguém importante? Ou para não se querer mais do que se tem direito nessas circunstâncias ? A que distancia devemos nos manter para que tenhamos os sentimentos certos por aquela pessoa?
Eu achei que tinha direito de querer que você fosse mais atencioso comigo, achei que tinha o direito de ter me irritado quando você quis trocar o horário do nosso encontro, e confesso que pensando agora, tenho a impressão de que me equivoquei e acabei te irritando sem razão. Achei também que tinha o direito de querer que você falasse de outra forma comigo, que você poderia ter demonstrado melhor que queria que eu fosse mesmo assim, mas não sei. Acho que não sei de nada mais.
De qualquer forma já era tarde... nós já estavamos brigando de novo e eu não sei se essas brigas frequentes são permitidas, se condizem com a nossa situação, me pergunto agora. A essa altura, você já tinha dito que achava melhor pararmos, depois falou que não tinha dito com  aquela intenção, que eu estava tendo uma visão errônea da situação, de você. E eu ainda me pergunto, qual foi sua intenção verdadeira quando disse aquilo, assim de pronto.
Nesse caso fica uma coisa incerta, essas reticências que não contam se a história termina ou se terá continuação. O final é sempre dentro da gente: quando entramos em debate com nós mesmos para decidirmos se iremos falar com o outro ou não, se iremos esperar o outro ou não. E essa decisão pode ser o seu ponto final, que pode durar para sempre ou pode se tornar uma vírgula caso aquela pessoa te procure. Ou simplesmente, se você começa a pensar em tudo isso, em todas essas hipóteses... Mas não sei se te contar as minhas divagações e perguntar os sentidos das suas atitudes são condizentes com nossa situação. E, sobretudo, se você já colocou o seu ponto final ou não. Ficamos assim, sem saber como acaba ou acabou...

sábado, 18 de julho de 2015

eu que não amo você...

Metathesiophobia



Acordei achando que você tivesse me mandado a mensagem redentora, o sinal que estava esperando pra poder ir te encontrar, pra podermos consumar nossa loucura. Mas era sonho! E então despertei, o terceiro dia de vazio, terceiro dia que não queria levantar, não queria comer...cozinhar então?! Nem pensar! Só se fosse a nossa pipoca, a que eu iria fazer pra gente hoje, pro nosso filme. Por falar em filme, deixei de assistir sozinha, um bom, de suspense, pro caso de você me mandar aquela mensagem, que me permitiria ir te encontrar... Nós dois gostamos de filme assim. Filme que a gente provavelmente não iria terminar de ver. Mas reservei pra nós, mesmo assim. E a mensagem não chegou!

Por causa dessa briga não estudei, não escrevi, não fiz nada de útil ontem, nem anteontem e estava preocupada, porque percebi que hoje não seria diferente. Fiquei até as 3h da tarde segurando o telefone, literalmente, olhando sua foto, nossa conversa... e ponderando se devia te procurar ou não. A essa hora já era pra gente estar no sofá da sua casa, comendo pipoca, embolados um no outro. Cada minuto até as três da tarde eu vi passar numa indecisão sem fim: falo ou nao
? Fazendo as contas se ainda daria tempo de fazer o que tinha que fazer antes de ir bater na sua porta.

Voltei pra cama, e só conseguia imaginar a gente, o que estaríamos fazendo na sua casa. Só conseguia lembrar da gente, lembrar do carro, dos nossos passeios, das coisas que você me disse no escuro, lembrei de varias coisas que só tornavam mais difícil cada minuto que passava. Não soltei o celular, levantei, cheguei a escrever uma mensagem e apaguei na mesma hora. A minha cabeça me dizia pra mandar e não mandar, ao mesmo tempo. Pensei em te dizer que apaguei nossas fotos, assim, sarcástica, amarga. Pensei em te perguntar, mil vezes, se você queria mesmo continuar naquele clima. Outra hora, pensei em desabafar e dizer que odeio ficar assim com você, ou sem você (o que dá no mesmo), como já disse algumas vezes no dia seguinte de uma dessas brigas. E pensei em te dizer simplesmente, que sinto sua falta e meu corpo também.

Fiquei doente de agonia, de saudade, de desejo... mas não chorei dessa vez. Bebi meu vinho no almoço em grandes goles, pra ver se me embebedava e ver então se arranjava coragem  de te dar um sinal, ou simplesmente perguntar se você estava em casa, sem explicar nada, esperando que estivesse, esperando que entendesse mesmo assim e me quisesse aí, sem pensar duas vezes. Porque na verdade, eu queria ir, queria tanto, mas tanto estar aí. Só precisava arranjar uma desculpa, uma justificativa, uma garantia de que não iria me arrepender, depois daquele banho quente com você.

Mas não arranjei nenhuma.A gente briga, mas você não volta atrás, não manda mensagem no dia seguinte. Você me procurou anteontem e eu até achei um avanço, mas a gente brigou outra vez. A gente não ta funcionando mais. Eu te digo A, você entende B, eu peço pra você ser doce e você se irrita, acha ultrajante, absurdo, e distorce o que digo. E acha que na verdade não quero, que estou com medo de te encarar, de ir pra casa com você, de ficar sozinha com você... mas a verdade é que a gente já sabe o que acontece, a gente já sabe que dá certo, certo demais... Você não entende, ou finge que não, embora já tenha te dito varias vezes, que só quero que você tenha um pouco de tato comigo, que tenha cuidado comigo. Só! Que use palavras macias, seja apenas um pouco delicado... só isso. Já te falei, que não quero outra pessoa, não quero procurar outra pessoa, muito embora saiba que na verdade, era o que deveria fazer. E você não entendeu o sentido disso, de te querer ainda, apesar de não estarmos funcionando... o sentido da minha teimosia: que eu quero você mesmo!

Fiquei triste e senti saudade hoje, ontem, anteontem... das nossas conversas de antes, de dividir meu café com você no meio da tarde e o seu comigo, das suas piadas ridículas que me faziam rir de verdade não sei como, das nossas conversas quentes enquanto o dia ainda estava claro! Senti muito... Senti saudade de me dividir com você, de me mostrar pra você e saber que você gostava de cada parte minha, que minha imagem te tirava o sono, que minha pele te fazia adiar a despedida... Senti tanto!

Mas me levantei! Decidi! Não tinha mais volta. Fiz meu café da tarde, de todo dia, aliás, até meu café eu esqueci nesses três dias. Bebi meu copo enorme de café como quem bebe um uísque ou cachaça e não te contei. Não dividi. Embebedei-me do café que fiz, do que sou: sozinha!  Voltei a minha rotina de antes de você. Assisti as minhas aulas, li. Mais tarde vou continuar a assistir minhas séries, ouvir minhas músicas... Coloquei aquela camisa velha que minha mãe usava, mas que eu vinha me esquecendo de usar, porque sempre estava despida pra você. Quando for madrugada vou assistir àquele filme, sem você mesmo, porque era isso que fazia antes! Porque eu era assim antes de você, sozinha, sem mensagem, encontros, ligações. Durmo e acordo assim, quando estou triste, quando lembro da minha mãe, quando choro a madrugada inteira, quando me pergunto se te mando mensagem ou não, se te peço desculpas ou não, se vou embora ou não... estou sempre assim, sempre igual, como venho sendo há muitos e muitos anos: sozinha! Então é isso... Só queria que você soubesse mesmo que eu queria ter ido e se não fui, a culpa foi sua. Que não soube ter cuidado pra dizer que me queria, ou que não quis ter cuidado, porque só me queria.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Meu lado louca...

Há dias venho me despedindo de você, em minha cabeça já pensei e repensei o que dizer, já ensaiei diversas vezes como te dizer. Venho tentando me afastar aos poucos. E desistindo varias vezes. Toda vez que você vem falar comigo, com esse seu jeito... esse jeito divertido nosso, tudo parece fácil, simples demais. Esqueço a complicação dessa história, a enorme probabilidade de dar tudo errado. Quando estamos juntos, no calor do momento, entre carinho e carícias, olhares e beijos, entre vidros embaçados... eu me abro pra você, me desarmo, me entrego. E não raciocino. E não consigo parar. Mas cada dia que passo sem notícia sua, faz com que eu caia na realidade da situação em que nos colocamos, penso mil coisas que não queria pensar, me sinto sozinha e fico com raiva... enxergo cada possibilidade que existe de dar errado me ameaçar. Sinto que fomos longe demais, alto demais... olho pra baixo e sinto medo de já estar queda livre, de termos estragado tudo. Então te procuro, agoniada pra tentar entender o que houve, sou cínica e dou risada para conversarmos numa boa, finjo que nem liguei pro seu sumiço, que nem dei falta... mas por dentro estou engasgada com o medo e a raiva e não consigo deixar passar. No meio da calmaria, cuspo meu receio na sua cara com sarcasmo. A gente grita, eu grito. E eu pego minhas coisas, minhas roupas espalhadas, faço as malas, bato a porta... E no meio da madrugada me arrependo, volto atrás. Porque não quero outra pessoa, sou teimosa: quero você! Quero desfazer esse clima, bater na sua porta pra gente se acertar a qualquer hora da manhã.

domingo, 12 de julho de 2015

Sobre a falta dela...

Revenge | via Tumblr



Essa casa grita a falta dela, em cada coisa fora do lugar, está tudo torto, inacabado por causa dela. Cada um de nós carrega uma limitação por faltar ela. Eu não sou inteira, nunca serei, nunca serei normal por causa dessa falta, tenho plena consciência disso.Se alguém algum dia me quiser saberá que esta levando alguém quebrada, faltando uma parte, um objeto defeituoso, alguém cheio de traumas e fraturas.

Muitas vezes digo que essa historia de ter um par e um amor constante me dá sono, que ainda quero viver muitas coisas... porque aprendi a ser cínica, aprendi a mentir. Porque tenho medo de gostar de alguém que não vá querer entrar nessa vida torta que tenho, morro de medo de gostar de alguém que não vá suportar minha loucura. Eu nem tenho coragem de abrir minha vida para alguém outra vez de caso pensado. Mas eu finjo que não é essa a verdade.

Porque eu queria sim amar alguém que me quisesse apesar de tudo. Todo mundo quer! Alguém que escolhesse viver os meus medos, entrar no meu emaranhado, alguém que conseguisse enxergar alguma vantagem em estar ao meu lado, ainda que eu mesma não consiga.

Eu me sinto em desvantagem, me sinto injustiçada em relação as outras pessoas, desprotegida. E sei que ninguém tem culpa. E digo que aceito bem, que já nem choro quando falo dela, mas também sou falsa! Porque as consequências dessa falta estão tão entranhadas em mim, que as vezes acho que já nasci assim, despedaça, repartida.

E a vida é tão simples para as pessoas que tem aquela família de porta retrato, completa, que passa despercebido a grandiosidade que há por trás disso. Quando você tem alguém pra avalizar seus passos quando tem um responsável por trás de todos os erros que você comete, quando tem alguém pra recolher seus pedaços quando algo te parte ao meio. E eu sei que tenho. Tenho o melhor pai do mundo, o melhor pai que poderia imaginar e não duvido disso nem mesmo um segundo. Mas preciso da minha mãe, muitas vezes preciso apenas dela e ninguém mais!

 Eu sinto essa falta, sinto falta dessa mulher pra me espelhar, sinto falta da minha mãe quando olho pra minha casa, quando olho pra mim e vejo que serei sempre uma mesa manca, uma xícara sem alça. Quando entendo que não sou o tipo de escolha fácil e que o porque disso nunca poderá ser mudado, porque eu não posso traze-la de volta, não posso mudar os caminhos que minha vida percorreu.

E eu sei que ela sabe que eu sou forte também, que tento de uma forma meio errônea assumir o papel que a vida me impôs, que impôs a nós. Que já apanhei muito pra aceitar essa realidade e que muitas vezes as pessoas, com o intuito de me fazer crescer, apenas me faziam lembrar que eu nunca poderia suprir a falta dela, porque eu não escolhi isso, não me preparei pra isso e nunca me prepararia, pra vê-la partir tão cedo. E que eu também preciso de um colo, eu preciso ser filha, eu preciso ser criança, ser protegida, preciso que ela me diga o que fazer, ainda.

Venho tentando dar os passos certos, tomar as decisões certas desde os 10 anos, tentando sempre adivinhar o que ela me diria pra fazer... não tive pressa em virar mulher em alguns aspectos, porque em outros precisei ser mulher cedo demais, mas ainda erro, e nessa altura da vida, ainda preciso dela, ainda preciso da sua orientação... e sei que sempre irei precisar.

Sei também que onde quer que ela esteja, não está gostando desse texto, porque sei que se fosse permitido a ela escolher, ela teria escolhido ficar, com toda a dor e sofrimento inerentes, pra que nada disso nos afetasse. E já antecipo as desculpas, e peço que não se sinta culpada pelo que escrevi, porque sabemos que nada disso cabia a nós decidir. É esse é só o meu jeito de gritar, meu jeito de colocar pra fora tudo que não seria capaz de dizer, de me confessar, é a forma que inventei de pensar e continuar lúcida no meio dessa loucura.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Segunda carta

Querido Amigo,

Dessa vez não haverá Juiz para resolver o nosso impasse, para resolver nosso conflito infantil e dizer quem tem razão de nós dois. Ambos teremos que nos questionar em silêncio sobre as consequências e as causas dessas nossa briga. Te confesso que sinto o mesmo pesar e saudade que depositei naquela carta velha  que escrevi anos atrás e não te entreguei, e aproveito e te explico que apenas não o fiz porque você estava numa dessas fases de sumir da minha vida. Achei que não fosse se importar com nada que estava escrito nela, do meu carinho pelas memórias da nossa amizade, e resolvi guardá-la. Espero que se importe agora.
Preciso dizer que nesse momento sinto um misto de sentimentos e não estou conseguindo organizar meus pensamentos, tem mil coisas passando dentro de mim: No meu coração eu me pergunto se devo repensar seriamente a relação que temos hoje, tudo que deixamos pra trás. Venho repensando todos nossos passos até aqui, e as vezes sinto que ta tudo errado, porque era pra ser divertido, sempre foi! Sempre fomos assim, nunca levávamos nada a serio, não falávamos nada serio, era sempre brincadeira e o fundo de verdade era a amizade verdadeira que criamos.
Mas nós tivemos um desentendimento idiota quele dia, frustramos as expectativas de ambos, discutimos. Não gostei do jeito que você falou comigo, como se nem ligasse pro meu show, como se eu fosse um ninguém. Provavelmente teve seus motivos para isso. Provavelmente fui grossa com você também.  Estamos quites, mas  brigamos mesmo assim. E de verdade dessa vez. E sinto uma tristeza, como se esse fosse o último fiapo que resta daquela nossa amizade leve, divertida e despretensiosa. Como se já tivéssemos perdido tudo aquilo. 
Nós já mudamos tanto nesses anos, mudamos nossa convivência, nossa conversa fácil, eu notei. Mesmo assim, tudo que queria nesse exato momento era que você me procurasse, me mandasse uma mensagem me chamando de Feia, Branca, ou qualquer coisa! Qualquer coisa que provasse que eu estou errada, que mostrasse que nós ainda guardamos um pouco daquilo, que podemos ser um pouco como fomos, e  só por isso eu ainda estou aqui, muda, separada, agoniada. Ou talvez, se nos encontrássemos e eu pudesse ver que não há mágoa da sua parte, que no fundo esse tempo era só brincadeira, como sempre, visse você fingir me ignorar de mentira com um risinho disfarçado...tudo estaria bem. Mas quanto tempo isso levaria? E se você tiver se zangado de verdade? E se você recusar qualquer convite que possa te colocar no mesmo lugar que eu? Não posso deixar que isso aconteça, não quero correr esse risco com você! E temo que algo esteja me dizendo que essa seja a nossa sentença, nossa estaca final e por isso eu estou aqui morrendo de medo de estar certa. 
Estou contando os dias, suspirando pesado, chorando por dentro pensando nos efeitos desse tempo, porque não é essa a intenção, não é assim que tem que ser. Não com a gente! Você podia me ligar e me xingar, me mandar uma mensagem tentando recomeçar nossa briga, porque isso demonstra que você esta ruminando essa tristeza tanto quanto eu, demonstra que eu ainda te sirvo, ainda que pra te causar raiva. Mas a inércia não, a indiferença não. A indiferença é muito pesada pra nossa amizade leve, a indiferença não foi feita pro nosso tipo de amizade, sempre tão divertida, livre desses joguinhos e disfarces! Com o tempo nos ficamos sem jeito, estranhos, perdemos o tato. O tempo cria arestas em nós, resseca a intimidade do riso, das piadas, nos torna desconhecidos outra vez. Eu sei como é. A indiferença enterraria nossa amizade para sempre e de uma vez, seria um infarte fulminante dos amigos que somos. E eu não quero nunca que seja assim, fico triste só de pensar! E estou esperando que você também!
Vamos ficar de bem?

quarta-feira, 10 de junho de 2015

crime confession

Want!


 Já há algum tempo que nós dois não temos mais a inocência de antes, aquela que há entre duas pessoas que apenas cogitam, se imaginam tendo algo mais, nós ultrapassamos esses limites, nossos antecedentes estão manchados para sempre. Somos agora marcados pela tensão quando estamos juntos em público, receosos a todo tempo de que alguém perceba demais, em uma dessas vezes em que olhamos no olho do outro quando trocamos algumas palavras, no nosso jeito próprio de conversar, que alguém descubra o que aconteceu naquela dia. Eu meço minhas palavras, tento agir o mais normal possível, as vezes fico muda pra  não dar brecha às pessoas de nos observarem, nos estudarem, estudarem  nossos gestos, a inquietude que a proximidade nos gera, nossos risos meio presos, o olhar distante enquanto regressa a memória daquela noite... e perceberem que houve algo além desse nosso teatro. Mas aí voltamos a conversar, para não levantar nenhuma suspeita e você fala da sua casa, encenando uma perfeita distração na voz, como se eu não soubesse onde é, e eu finjo que não sei, finjo que nunca estive lá. Minto! Por vezes fico tentada a te mandar uma mensagem, agoniada por retomar nossa convivência de antes, e sentindo ao mesmo tempo medo de que você, ao contrario de mim, esteja se esforçando em não repetir os  erros que um dia cometemos. No entanto, basta alguns poucos momentos a sós para se perceber que deixamos algo inacabado que nos impede de regressar do ponto que paramos, nos impede de fingir para o outro que não existiu. Nós somos cúmplices do mesmo crime, mantemos as aparências de inocentes em frente as outras pessoas, mas quando estamos sozinhos  nossas conversas evidenciam o erro, nos incrimina!  O jeito que nos portamos mostra o que já fizemos, que sujamos nossas mãos juntos, que algo aconteceu. Há uma intimidade que acobertamos, pois estamos fadados a transgressão, a praticar todos os ilícitos que nos rodeiam, um crime no qual já estamos condenados a reincidir!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

também passará

Bainha de Fita Crepe
E o máximo que te diria, se inda fizesse sentido, seria "que eu tive uma quedinha por você" e que, como no filme, "você me curou de você".
Gosto desse seu olhar analítico enquanto me ouve falar, percebendo os traços do meu rosto, meus defeitos e expressões... e quando esboça aquele sorriso tranquilo no final. E gosto da sua companhia, mesmo quando silenciosa, pra ficar me perguntando "o que foi?" ainda que eu não esteja dizendo nada, apenas te observando do meu lugar. E rindo, sempre que respondo o meu "nada" habitual e vice versa. Gosto do seu mau humor forçado, da sua mania de me criticar com o único intuito de criar um assunto para discutirmos, pra que eu não permaneça quieta. E o seu sorriso, quando eu acabo entrando nesse seu jogo idiota de implicância. Eu faço e refaço as contas mentalmente de quantos dias ainda tenho, e percebo que já não conto com muito... é triste pra mim saber que o final se aproxima, e esteja agora na sombra do próximo mês ou da próxima quinzena, quem sabe, porque nós nunca mais seremos assim outra vez. Por vezes divaguei repassando mentalmente nossos altos e baixos, da época que estávamos tão íntimos e como tudo foi mudando com o tempo. E mesmo sabendo que o fim chegaria pra nós de um jeito ou de outro, é inevitável essa sensação ruim embolada na garganta. Eu gostei de você desde o começo, com aquela conversa fácil, puxando assunto com despretensão, mas foi depois que nos tornamos amigos e é engraçado como tudo parecia errado no momento que percebi o quanto me fazia bem você. E era! Tudo errado! Errado repetir aquela velha "história da amizade". Nossa amizade estragou tudo,eu conheci demais você pra que permitisse que acontecesse algo além, soube do que queria e não queria pela sua boca e as vezes pelas suas atitudes, quando você  não me contava... e olha só, ainda somos "bons amigos" e teremos um final pacífico, que quase passa despercebido. E eu sinceramente não sei explicar a moral dessa história e calcular o que valeu a pena realmente. Porque sei que mesmo sem querer, você foi o único sentimento doce que passeou por mim depois de tanto tempo, sem que  até hoje eu possa explicar o por que, eu que nunca me interesso por ninguém (como você dizia), que piada! Mas a vida é uma piada e ri na nossa cara. E tudo isso vai ficar pra trás e sei que passarei por você ainda varias vezes, distraída e vou te cumprimentar daquele jeito excessivamente feliz, que te irrita. E você já  nem irá se irritar com minhas palavras impessoais, pois já terá passado esse tempo, aqueles dias, nossa intimidade, nossas longas conversas madrugada a fora... já teremos feito o (triste) caminho reverso do tempo, de nos tornarmos meros conhecidos outra vez. 

terça-feira, 29 de abril de 2014

you know, that I'm no good

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Eu esqueci de te contar desse meu problema... esqueci de te explicar o que me retrai, o que retesa o meu rosto, o que me deixa acoada. Esqueci de te dizer que quando eu sinto essas pequenas mudanças, eu mudo na antecipação pra tentar me proteger, e proteger o que temos, e isso me magoa, me fecha. Cada vez que vejo as diferenças no jeito que está agindo comigo agora, passam milhares de coisas na minha cabeça. Eu penso que errei, eu tenho certeza que errei e tento mudar, tento parecer indiferente e de repente eu sumo por um tempo pequeno e me torno amarga.
Aí eu sinto saudade, eu sinto uma tristeza no fundo, que vai levando meu riso aos poucos e então eu tento voltar. Uma hora ou outra dá certo, a gente brinca, se irrita um pouquinho mas depois ri... mas uma sombra paira sobre mim, e eu sinto que nos afastamos demais, parece que mudamos demais, rápido demais. E me perece que já não consigo ser como era...
Parece que nossa amizade se quebrou antes mesmo de trincar. Eu queria voltar, EU QUERO! Mas eu sinto um fiapo de aspereza no final das nossas conversas agora, das coisas que você diz, e desde que senti isso a primeira vez tenho tido medo, como se estivéssemos andando sobre o gelo que começa a se partir aos poucos... EU quis fingir que não ligava, eu quis correr pra não afundar mais uma vez, não com você! Pra que não nos tornássemos mais uma história de erros, do tipo das que te contei.
Esqueci de te explicar o quanto isso me assombra, eu paralisei, nem olhei na sua cara, "meti os pés pelas mãos", mas estou em pânico outra vez... Ajo assim quando sinto que estou perdendo alguém que eu gosto.Talvez seja tarde demais...Eu acho que foi cedo!